Volta pra casa, desfaz as malas e tenta ser feliz

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Pois é, amor. Deu tudo errado. Sei que as costuras foram mal feitas. Sei que tinha sal demais ou açúcar de menos; sei que exagerei no volume de pimenta e que usei todas as cápsulas do seu remédio pra depressão. Eu sei, eu sei que exagerei. Admito que eu provoquei a catástrofe, que eu tirei as tuas roupas do armário, que eu – somente eu – sou o culpado por tanta tragédia em nossas vidas.

Eu sei e admitir isso não é problema nenhum pra mim.

As provocações foram minhas, as indiretas no Facebook vieram do meu teclado, os rastros do meu IP ficaram quando tentei invadir teu e-mail, teu Whats e o teu Messenger. Não sou nenhum santo, amor; me conheço bem demais.

Mas volta pra casa, desfaz as malas e tenta, de um jeito simples, irracional e irrestrito, ser feliz ao meu lado. Esquece as minhas paranoias, a minha hipocondria, minha taquicardia, minha pressão alta… Vai, tenta esquecer tudo isso. Vez por outra, lá em quando, o amor vale a pena. O nosso amor, eu sei também, está fadada ao caos, à tragédia, ao vasto vazio que há no fim de tudo. Nossa tragédia, nosso caos, nosso infinito vazio.

Mas é que eu, belo amor, vejo, sem tantas explicações, beleza na tragédia. De lá do alto, do caos, não há caminhos a seguir, esperanças, medos, reações, catarses, obrigações… A tragédia, meu bem, é o lugar ideal para não haver mais a infernal espera para ser feliz.

Tudo é o nada.

E nós dois estamos condenados ao fim.

Mas volta pra casa, amor da vida. Vamos deixar o fim, as crises, as tragédias para amanhã ou até depois. Desfaz as malas, joga a roupa pelo chão e tenta ser feliz.

Entre braços, abraços, amassos e tesão, meu bem… Vem ser feliz.

Hoje, por hoje talvez, só, a gente pode tentar ser feliz…

Apostando todas as nossas fichas no agora, no instante dedicado a tudo o que gente tem para ser feliz.

Volta pra casa, amor. Pro aconchego. Pro eterno. Pra nossa tragédia anunciada.

Pensa bem, amor, na beleza que há nos planetas que se chocam, nos universos que se expandem, nos naufrágios elegantes. Vê? Há beleza na tragédia, há beleza no inevitável, não é só o frio no desfecho.

O nosso lar é o fim, mas deixa isso pra depois, tá?

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