Pensando no trabalho diário desse profissional, a equipe de Espeleologia e Tecnologia da Diretoria de Planejamento e Desenvolvimento de Ferrosos da Vale tomou a iniciativa de desenvolver um dispositivo robótico operado remotamente, com câmeras e sistema de iluminação, capaz de se locomover em terrenos acidentados e realizar a inspeção de cavidades. O objetivo é evitar a presença do espeleólogo dentro destes locais. Juntaram-se ao projeto o Instituto Tecnológico Vale (ITV) de Minas Gerais e o Instituto Brasileiro de Robótica do SENAI/CIMATEC, da Bahia

A espeleologia é a ciência que estuda a formação e constituição das cavidades naturais subterrâneas. Na mineração, o espeleólogo é um profissional essencial, já que os dados coletados por ele, como o levantamento topográfico e a identificação de seres vivos nesses ambientes, são determinantes para a relevância da cavidade e, consequentemente, para a viabilidade ou não de um projeto de mineração. Mas o trabalho do espeleólogo não é fácil.

Muitas dessas cavidades não são cavernas ou grutas de fácil acesso. “Pelo contrário, a maioria das cavidades em regiões com presença de minério de ferro são estreitas e de difícil acesso, onde o profissional em trabalho de campo pode se deparar com diferentes riscos, como desabamento pontual de teto, presença de animais selvagens e peçonhentos e fungos”, explica Ramon Araújo, analista de meio ambiente da Vale.

O mapeamento será feito remotamente utilizando um laser tridimensional capaz de rastrear cerca de 30 mil pontos por segundo, junto com câmeras de alta resolução. Esses pontos são interligados, gerando uma nuvem tridimensional e colorida, que representa a cavidade investigada, visualizada em ambientes de realidade virtual. “Além do aumento da segurança, ganha-se em qualidade no mapeamento topográfico, que é uma exigência da legislação ambiental para fins de licenciamento”, afirma Iuri Brandi, especialista técnico da equipe de Espeleologia e Tecnologia da Vale.

Já o sistema intercambiável de locomoção, desenvolvido pelos pesquisadores do ITV, permite ao robô mover-se utilizando rodas, pneus, esteiras ou pernas, dando condições de mobilidade em diferentes tipos de terrenos. “Podemos usar também um sistema híbrido de locomoção. Por exemplo, o robô pode andar com quatro rodas e duas pernas. As rodas dão estabilidade ao equipamento em um terreno mais acidentado, enquanto as pernas lhe permitem superar obstáculos encontrados pelo caminho”, explica Gustavo Freitas, pesquisador do ITV. O sistema intercambiável de locomoção é uma tecnologia pioneira. “O que normalmente temos na indústria são robôs adaptados para o uso em mineração subterrânea, e não para o trabalho de espeleologia”, completa o pesquisador.

Infogra´fico-espeleologia (1)