Parauapebas, uma das cidades mais ricas do Pará, inicia 2025 enfrentando uma dura realidade: está entre as cinco piores cidades do Brasil para ser mulher. O dado, revelado por um estudo inédito referente ao ano de 2024, produzido pela consultoria socioambiental Tewá 225, expõe um retrato alarmante da desigualdade de gênero no município.
O índice avalia fatores como taxa de feminicídio, desigualdade salarial, representatividade feminina na política, e o número de jovens mulheres fora da escola e do mercado de trabalho. Em todas essas dimensões, Parauapebas apresenta desempenho crítico. Com 19,23 pontos, a cidade ocupa a 5ª pior colocação do país, atrás apenas de Paranaguá (PR), São Pedro da Aldeia (RJ), Camaçari (BA) e Macaé (RJ). Veja o ranking completo das 10 piores cidades para ser mulher no Brasil, segundo o levantamento:
Paranaguá (PR) – 12,70
São Pedro da Aldeia (RJ) – 14,98
Camaçari (BA) – 16,79
Macaé (RJ) – 18,78
Parauapebas (PA) – 19,23
Cabo de Santo Agostinho (PE) – 19,74
Pindamonhangaba (SP) – 20,19
Açailândia (MA) – 21,12
Santana (AP) – 23,05
Ponta Grossa (PR) – 23,25
O levantamento lança um enorme desafio à nova gestão do prefeito Aurélio Goiano, que assumiu o governo municipal em janeiro de 2025. Para enfrentar esse cenário, ele nomeou sua esposa, Beatriz Ramos, como secretária da Mulher uma escolha que carrega tanto expectativas quanto responsabilidades.
Beatriz herda uma realidade dura: a ausência de políticas públicas efetivas para mulheres, a baixa representatividade feminina nos espaços de poder e índices alarmantes de violência de gênero. Mais do que discursos, o momento exige ação concreta, investimentos, articulação com o judiciário, o legislativo e, sobretudo, escuta ativa das mulheres da cidade.
Enquanto Parauapebas cresce economicamente, suas mulheres ainda vivem à margem. O estudo da Tewá 225 é uma fotografia de 2024 e um alerta urgente para 2025 e para os próximos anos. E se há uma promessa no início dessa nova gestão, ela precisa começar por garantir que ser mulher em Parauapebas não seja mais sinônimo de risco, exclusão ou silêncio.
O futuro de uma cidade também se mede por como ela trata suas mulheres. E nesse quesito, Parauapebas tem muito a fazer e o tempo para começar é agora.