Não é de hoje se que levanta questionamentos sobre a situação gerencial da Secretaria Municipal de Educação (Semed). A referida pasta está desde o início do governo em situação financeira crítica. Vive no que se chama no jargão popular a “pão e água”. As verbas de manutenção (partes federal e municipal) estão concentradas há dez meses no custeio. Não há investimentos.

As condições estruturais das escolas estão a cada dia pior sem manutenção. A merenda escolar não melhorou. Pelo contrário, por questões burocráticas, licitatórias, a entrega chegou a ser interrompida. A Educação municipal vive cenário de “terra arrasada”. Claro que isso não é novidade, Parauapebas configura-se com status de excelência na área, quando o marketing e boas peças publicitárias são feitas maquiando a realidade.

O que chama atenção é o processo inversamente proporcional. Enquanto a arrecadação municipal apresenta ritmo satisfatório, dentro do esperado para o período, com a certeza que irá atingir a meta planejada do PPA de 2017, mesmo assim a Semed continua em estado de penúria. Nesse processo, parece que o atual secretário da pasta, Raimundo Neto é o menos culpado. Há fatores de bastidores, do jogo político que parecem emperrar as engrenagens da secretaria.

Primeiramente, logo no início do governo, quando iniciaram os acordos entre os vereadores e o prefeito, a Semed, diferente da gestão passada que tinha dono, controlada por uma autoridade legislativa. Desta vez, o formato de controle foi diferente. Conforme escrevi em fevereiro: “Semed: o mais novo loteamento de Parauapebas”, quando os espaços (leia-se contratos) passaram a ser divididos no varejo, entre os vereadores. Com o secretário blindado pelo prefeito Darci, sobrou aos edis avançarem sobre as escolas. Os vereadores, portanto, recebiam esses espaços educacionais com “porteira fechada”, ou seja, indicavam seus diretores, vices, profissionais de limpeza e administrativo.

O acordo seria esse, o que deixaria o comando central da Semed mais tranquilo para desenvolver suas ações. Mas a “fome” política de uns é maior do que a própria capacidade de “comer”, portanto, as escolas já não atendiam os interesses e acordos firmados em campanha.

Em política, por estranho que possa parecer, as crises são ocasionadas até de forma proposital. Tem a função de desgastar quem a dirige, buscando tornar inviável a gestão. O chamado “fogo amigo” é uma realidade, algo que ocorre dentro dos governos. Será que a blindagem do secretário Raimundo Neto não existe mais por parte do prefeito? Por que a Semed vive à mingua, sem uma intervenção mais incisiva do poderoso gabinete do prefeito?

O PMDB assumiu recentemente a saúde e parece que agora quer a educação, podendo reunir as duas maiores pastas em orçamento do município e com os maiores espaços entre as demais pastas municipais?

Não é de hoje que surgem boatos que a vereadora Eliene Soares estaria rondando a principal cadeira da Semed. Dizem que a referida já não se contenta com os espaços (escolas) que tem sob o seu controle. Quer mais. O espaço inteiro, fatiando ou mantendo os atuais redutos de seus pares de parlamento, mas com o controle central. Isso lhe daria mais poder, consequentemente maior musculatura política para uma possível candidatura a Alepa.

O governo Darci vive momento de instabilidade interna. Após dez meses de gestão, algumas trocas já foram feitas e outras deverão ocorrer. O “núcleo duro” do governo, que define as diretrizes e as ações macro, buscando alinhar pretensões e projetos de uma gestão formada pelos mais diferentes interesses políticos, tornou-se um comitê gerencial (foram 16 agremiações partidárias na campanha). Os interlocutores do Palácio do Morro dos Ventos afirmam que o ano corrente foi para ajustar, organizar a máquina pública para os próximos três anos.

Independente de bastidores políticos e do autofagismo institucional, a Educação parece não ser prioridade da atual gestão.

Leia abaixo o texto que escrevi sobre a Semed, em janeiro.

Parauapebas tem o seu mais novo loteamento: Semed