Ao se analisar os números recentes divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), dez cidades paraenses aparecem como as grandes “puxadoras” de geração de emprego. Juntas foram responsáveis pela geração de sete mil postos de trabalho em solo paraense. No balanço do Caged no ano corrente (atualizado até setembro) mostra que na Região Metropolita de Belém (RMB) o saldo negativo é recorrente, ou seja, o número de desligamentos é maior do que as admissões.

Segundo os dados divulgados e analisados no decorrer do ano, mostram o ranking dos dez municípios que mais empregaram no Pará: Marabá, Barcarena, Paragominas, Santarém, Xingara, Pacajá, Cametá, Itaituba, Ulianópolis e Acará. Entre os 10 municípios que mais geraram vagas de emprego, quatro deles concentraram as contratações no setor da construção civil, a exemplo de Marabá, o líder no ranking.

Como se percebe, Parauapebas deixou de configurar entre os dez maiores geradores de postos de trabalho. A “Capital do Minério” em um ano já perdeu mais de 17% de sua mão-de-obra. Grande parte dos fechamentos está relacionado ao setor da construção civil, e não ao mineral, como se pode pensar. O setor mineral se estabilizou na relação contratação/demissão nos limites territoriais de Parauapebas. Esse declínio não é algo tão recente. Vem ocorrendo progressivamente nos últimos anos. Em termos comparativos (e levando em consideração dados oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego), em uma década, entre 1990 e 2000, só o setor mineral em Parauapebas contratou 20 mil pessoas de forma direta. E assim continuou – em ritmo menor – na década seguinte. A partir de 2011 o cenário positivo se inverteu.

Desde 2011 até o ano corrente a geração de empregos na “capital do minério” é aquém do esperado, ou melhor, do necessário, pelo grande exército de pessoas na faixa da População Economicamente Ativa (PEA), independente de nível de instrução ou formação profissional. A prefeitura que antes tinha papel de grande gerador de empregos, já não tem a mesma capacidade.  A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), por exemplo, impõe limite ao custeio com pessoal, limitando o poder de absorção por parte da máquina pública municipal.

A atual gestão que se denominou “Governo da Oportunidade” vive o dilema de não conseguir promover ações que façam jus ao lema que o levou à vitória nas urnas na última disputa eleitoral. O quadro negativo não pode ser atribuído exclusivamente ao governo municipal. Ele é o retrato do modelo econômico – que no atual formato é – insustentável que se instaurou em Parauapebas, há três décadas. Um município completamente dependente de apenas uma matriz econômica, que tem como cerne a própria insustentabilidade, ou seja, com duração “de vida” curta e de impactos negativos geralmente irreversíveis. A crise da falta de oportunidades é algo previsível e até esperado. O que, no caso do governo municipal, será uma grande contradição em seu DNA de formação, gerado na campanha eleitoral.