Coluna do Branco

Assim que as disputas eleitorais no âmbito municipal se encerraram, os debates, especulações e acordos prévios em relação ao próximo pleito, neste caso, no Pará, a eleição ao governo do Estado, em 2018, começaram. Simão Jatene não poderá disputar à reeleição. Segundo notícias de bastidores, deverá se lançar ao Senado Federal, descompatibilizando-se meses antes do pleito, possivelmente em abril do referido ano.

Nos bastidores políticos paraense ganham força os debates sobre a sua sucessão. Dentro do “ninho” tucano, as opções são: Zenaldo Coutinho (prefeito de Belém); Manoel Pioneiro (prefeito de Ananindeua); Nilson Pinto (deputado federal) e Flexa Ribeiro (Senador). A lógica seria pela escolha de dentro do partido. Mas, Jatene já deu sinais claros e práticos que não é um homem de partido, ou seja, não se prende em suas escolhas aos limites espaciais do PSDB. Como exemplo, cita-se o caso do seu apoio a eleição ao Senado, em 2014. Simão optou por Helenilson Pontes (PSD) em detrimento ao seu companheiro de legenda, o ex-senador Mário Couto.

Seguindo o perfil político do governador, um nome que vem crescendo e tomando forma, fora dos quadrantes tucanos é a do presidente do poder legislativo paraense, deputado estadual Márcio Miranda (DEM). O referido foi eleito recentemente para chefiar a Alepa pela terceira vez. O processo de escolha não teve disputa. Miranda foi quase aclamado entre seus pares (mesmos aqueles parlamentares de partidos de oposição, os mais à esquerda) para continuar no cargo.

É reconhecido como um grande articulador e apaziguador. Mostrou em suas duas gestões anteriores que conseguiu manter a ordem e bom ritmo de trabalho na Alepa. Já é considerado por muitos como um dos melhores presidentes legislativos do Palácio da Cabanagem dos últimos 20 anos.

Todas essas credenciais o colocam na lista de escolha de Jatene, até com certo favoritismo. Conforme escrevi em outro post, Zenaldo e Pioneiro, ambos estão com as suas respectivas imagens desgastadas. No caso do prefeito de Belém, a situação é pior, mais crítica. Zenaldo que se arrastou para se manter à frente do Palácio Antônio Lemos e que possui preocupante avaliação, além de responder processo na Justiça Eleitoral, deverá ficar de fora da escolha do governador. Sua reeleição foi uma vitória de Pirro.

Pioneiro, em situação um pouco melhor – do ponto de vista político avaliativo – mas que não tem expressão a nível estadual e talvez a devida competência de assumir o controle da política estadual. Nilson e Flexa, deputado e senador, respectivamente, ainda sonham como a possibilidade de disputarem o governo, mas não empolgam Jatene. E ainda há informações que o atual chefe de gabinete de Simão, José Megale, estaria pleiteando a indicação, com movimentações nos bastidores.

O PSDB deverá seguir o rito interno de escolha que irá desencadear no trâmite final que será a convenção partidária. Até lá, muitos desdobramentos deverão ocorrer. Jatene sabe que terá que ter muito cuidado e – de fato – não errar, buscando escolher a melhor opção. Os tucanos sabem que Helder Barbalho é o favorito e trabalha fortemente como ministro para aumentar a sua projeção eleitoral e diminuir a rejeição, sobretudo, na Região Metropolitana de Belém (RMB), reduto de votos tucanos e que decidiu em favor de Jatene a vitória nas urnas.

A disputa pelo Palácio dos Despachos, em 2018, promete fortes emoções. A começar pela escolha do governador Jatene. A escolha terá que ser feita com muito cuidado. São, pelo menos, até agora, seis nomes que despontam. Em jogo está a manutenção da dinastia tucana que controla o Pará há quase 20 anos.

Por.

Henrique Branco