A Vale inaugurou no dia 17 de dezembro deste ano o S11D, maior complexo de minério de ferro da companhia e que foi criado para operar com sistema truckless, ou seja, sem caminhões. Uma falha no planejamento da mineradora, no entanto, pode fazer com que a Vale adote o uso de caminhões no empreendimento a partir de 2018. A companhia nega que isso vá ocorrer.

Orçado em US$ 14,3 bilhões, o S11D foi projetado para não usar os caminhões fora de estrada, em busca de operação mais econômica e com menos poluição. Porém, para produzir no ritmo planejado, a mineradora deve tomar uma decisão sobre o uso de caminhões em janeiro.

Os caminhões fora de estrada são aqueles de grande porte usados para levar o minério de ferro da mina até a usina de beneficiamento. No S11D, a mina é situada dentro da Floresta Nacional de Carajás, mas a usina foi erguida fora da floresta, em área de pastagem. O minério será extraído por escavadeiras e britado em estruturas móveis que são interligadas por correias transportadoras.

São essas correias que vão levar o minério da mina à usina, substituindo os caminhões. Segundo a Vale, serão quatro conjuntos de estruturas como essas trabalhando ao mesmo tempo, o que dispensaria o uso de cem caminhões, reduzindo em 70% o consumo de diesel no empreendimento. Por essa razão, o sistema foi chamado de truckless.

O jornal O Globo diz que, de acordo com uma fonte, porém, os quatro sistemas de produção podem não ser suficientes para atingir o ritmo de produção projetado. Por isso, seria necessária uma quinta frente de trabalho que entraria em operação em 2018. Para esta frente, a equipe da mineradora avalia a compra de quatro a seis caminhões fora de estrada ou o deslocamento de alguns dos veículos usados no Complexo de Carajás, também no Pará. O sistema de correias não seria usado na quinta frente porque elevaria o orçamento. Cada caminhão fora de estrada custa cerca de US$ 4,5 milhões e é importado dos Estados Unidos. O sistema de britadores móveis e correias é ainda mais caro.

Alguns empregados já se referem à tecnologia empregada no S11D como less trucks, ou seja, menos caminhões, no lugar de truckless.

O S11D entra em operação comercial em janeiro de 2017. A capacidade da mina é de 90 milhões de toneladas anuais. Quando o projeto foi inaugurado, a Vale afirmou que a expectativa é que a produção efetiva seja da ordem de 75 milhões de toneladas em 2020, baseando-se nas estimativas de mercado. Se houver demanda superior, a mineradora garante ser capaz de atingir os 90 milhões de toneladas.

Procurada, a Vale negou que haja previsão para uso de caminhões fora de estrada na produção do minério de ferro e afirmou que o uso dos veículos se destina a serviços de terraplenagem. “Os caminhões utilizados para serviços de terraplanagem de mina são equipamentos auxiliares e não equipamentos de produção, como as britagens móveis. Não há previsão de uso de caminhões para transporte de minério até a usina”.

A empresa disse que, no método de lavra adotado na mina do S11D, “a primeira fase de processamento (britagem primária) e o transporte do minério (por meio de transportadores de correia) ocorrem dentro da cava (local da escavação) com o uso de equipamentos móveis e semimóveis”. São aproximadamente 37 quilômetros de transportadores de correia na mina em quatro sistemas independentes de lavra.

Com a evolução da lavra, continua a mineradora, “há necessidade de relocar parte dos transportadores de correia, o que demanda serviços de terraplanagem, atividade que demanda o uso de caminhões para transporte do material de cortes e aterros. Como parte do material de terraplanagem é minério, o mesmo é colocado próximo às britagens que ficam dentro da mina, se juntando com o material que vai ser direcionado para a usina de processamento.” Segundo a empresa, “à medida que a cava for sendo expandida, mais sistemas de britagem dentro da cava serão instalados, demandando mais serviços de terraplanagem”. As informações são do jornal O Globo.