Coluna do Branco

Como é sabido e exaustivamente anunciado pela imprensa, no último sábado (17), a Vale apresentou um dos maiores empreendimentos do mundo, o maior no planeta do setor mineral. O complexo industrial foi batizado com o nome “Eliezer Batista”, engenheiro civil de formação, que presidiu a Vale por duas vezes e ficou mais conhecido por ser o “pai” de Eike Batista, ex-bilionário.

O empreendimento teve alto custo. Nunca na história da Vale, a mineradora investiu tanto em um único projeto. Os valores corrigidos e atualizados ultrapassam os 14 bilhões de dólares, mais de 50 bilhões de reais (levando em consideração a cotação da moeda americana em R$ 3,70). O valor total foi quase divido em partes iguais nos custos em relação à mina, usina (em um único bloco de custo) e ramal ferroviário.

Todo esse custo de implantação tem claramente um motivo obvio: a viabilidade econômica do projeto. Nunca, na história da Vale, se irá produzir a tão baixo custo e de maneira colossal em relação ao volume de produção e exportação. Em três anos de operação, a Vale já projeta o pico de 90 milhões de toneladas por ano. Volume que a produção na Serra Norte levou quase duas décadas para atingir.

Toda essa importância dentro do cenário internacional e que torna o projeto S11D a “queridinha” da mineradora está a possibilidade de ter custo de produção por tonelada na casa dos sete dólares. Na Serra Norte a média de custo chega a 12 dólares com inédito rebaixamento na casa dos US$ 10, recentemente. Essa diferença é de suma importância na rentabilidade da Vale, haja vista, que a mineradora enfrenta grande variação do preço do minério de ferro, seu “carro-chefe” no mercado internacional e precisando, mais do que nunca, fazer caixa, tamanha é sua dívida bilionária, que já ultrapassa os 15 bilhões de dólares.

O empreendimento colocou em rota de colisão dois grupos: os pessimistas ou alarmistas e os desenvolvimentistas que justificam o projeto como alternativa, saída para a virada econômica de Carajás e a consolidação da produção de riqueza regional.

Diversos textos foram produzidos em relação ao S11D. No campo alarmista a conotação foi a supremacia de Canaã e a falência de Parauapebas no campo mineral. Muitos apontam que o custo e operação nas minas da Serra Norte tornaram inviáveis novos investimentos, pois ficará bem acima o custo de produção por tonelada. Os diversos textos foram divulgados e apontam em um futuro próximo decadência de Parauapebas, com a continua redução da produção de minério de ferro, tendo como base o balanço divulgado pela própria Vale, em 2015.

Já outros afirmam que todo esse cenário negativo não passa de puro alarmismo. Parauapebas apesar de viver momento delicado no quesito econômico e que transborda para o campo social, é ainda uma alternativa a mineradora Vale, haja vista, que na cordilheira de ferro em sua localização ao norte, no limite territorial de Parauapebas, ainda há outros grandes blocos a serem explorado no futuro. Como esperado, o S11D, reabre o debate sobre o futuro da região e sua dependência mineral. Independente de lado ou posicionamento sobre a referida questão, o minério está acabando. Seu fim a cada dia se aproxima com a margem de erro a gosto do freguês, pessimista, realista ou desenvolvimentista. Escolha o seu.

Por.

Henrique Branco