Ao defender, em entrevista ao Jornal Nacional, uma inteligência artificial brasileira com “linguagem portuguesa”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva simplificou excessivamente um tema complexo.
O Brasil pode — e deve — investir em inteligência artificial própria, com infraestrutura computacional, formação de especialistas, dados e modelos nacionais. Mas é importante esclarecer: para criar uma IA, não é necessário desenvolver uma linguagem de programação em português.
Linguagens de programação, como Python, C++ e JavaScript, já são utilizadas mundialmente e não precisam ser traduzidas para cada idioma. O português pode estar presente nos dados de treinamento, na interface e nas respostas do sistema, mas isso é diferente de criar uma nova linguagem de programação ou uma IA nacional.
O verdadeiro desafio envolve servidores, chips, energia, grandes volumes de dados, algoritmos, capacidade de processamento e profissionais qualificados. Além disso, é preciso discutir quem controla os modelos, onde ficam os servidores e quanto o país depende de empresas estrangeiras.
Defender soberania tecnológica é legítimo. Reduzir esse objetivo à criação de uma IA “com linguagem portuguesa”, porém, revela confusão conceitual. O Brasil precisa tratar o tema com mais planejamento e conhecimento técnico, não apenas com slogans políticos.




