Investidores brasileiros podem explorar rejeitos de Serra Pelada

A Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) se reuniu no sábado (19) com representantes da consultoria Brasil Século III (BSIII) e com um grupo de investidores brasileiro. Eles discutiram o desenvolvimento do projeto secundário de Serra Pelada, no Pará, que prevê a exploração do rejeito do garimpo produzido no local, chamado de “montoeira”. Os trabalhos podem começar em duas semanas, se os investidores derem o aval.

“Nós tivemos uma reunião de apresentação com os investidores no sábado e com o empresário da BSIII. Eles vieram conhecer a área e vão avançar com o projeto”, disse Edinaldo Aguiar, presidente da Coomigasp. Segundo ele, o procedimento para iniciar a exploração da montoeira é simples. A cooperativa possui Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) e todas as licenças necessárias.

Aguiar disse que a Coomigasp possui uma planta inicial experimental montada para a exploração da montoeira. O objetivo é construir uma planta com capacidade para 2 mil toneladas de material por dia. Os investidores ainda vão avaliar e dar um retorno oficial nos próximos dias.

Os investimentos que precisam ser feitos para colocar o projeto em operação não foram especificados por Aguiar, tendo em vista que ainda são necessárias mais estudos e projetos. Segundo ele, a estimativa é que seja necessário 20% do que foi gasto no processo primário pela canadense Colossus Minerals, que tinha uma joint venture com a Coomigasp, mas abandonou o projeto em 2014.

A mineradora já tinha desembolsado cerca de R$ 600 milhões, conforme dados da apresentação mais recente da Colossus, no fim de 2014, quando o câmbio estava em aproximadamente em R$ 2,45. Dessa forma, segundo cálculos o valor seria de US$ 245 milhões. No câmbio de hoje (21), o total seria de R$ 882 milhões. Logo, os 20% seriam cerca de R$ 176 milhões. “Eu acredito que dentro de duas semanas algo novo pode acontecer na mina secundária”, disse Aguiar. “Ainda é preciso fazer mais estudos, mas o investimento não é muito grande para começar a produção”, declarou.

O presidente da Coomigasp não revelou os nomes dos investidores, apenas disse que eles são um grupo de brasileiros. Todo o procedimento envolvendo BSIII e investidores tem sido feito pela cooperativa em conjunto com a Procuradoria-Geral do Estado do Pará.

“Nós queremos que a Promotoria do Estado nos acompanhe nessa jornada. É um grupo brasileiro, fica mais prático para a Promotoria e para as autoridades terem conhecimento. Nós queremos todo o trabalho acompanhado pelas autoridades”, disse Aguiar.

A Coomigasp tem marcada para o dia 27 de março uma assembleia geral ordinária em que serão apresentadas as contas do ano passado. Em redes sociais, como no Facebook, moradores e garimpeiros de Serra Pelada se mostraram céticos quanto ao avanço do projeto de exploração da montoeira.

BSIII

A BSIII foi contratada pela Coomigasp para viabilizar o projeto secundário de Serra Pelada. O acordo prevê que 44% do valor líquido do ouro, da prata e do paládio extraídos serão destinados aos garimpeiros e 56% à empresa. As despesas com exploração, empregados e outros custos seriam responsabilidades da BSIII. As informações são de uma transcrição de declaração do deputado federal Domingos Dutra (PcdoB-MA) em audiência na Câmara dos Deputados, em julho de 2014.

A consultoria foi procurada para dar mais detalhes sobre o acordo com a Coomigasp, mas não respondeu até a publicação desta reportagem. A BSIII tem como sócio o ex-deputado federal pelo PT de Minas Gerais, Virgílio Guimarães.

A Coomigasp tinha um contrato com um trio de investidores japoneses para explorar a montoeira de Serra Pelada. Akio Miyake, Osamu Sugiyama e Hirosuke Otaki, sócios da Mineração Yamato do Brasil (Miyabras), estiveram no projeto em julho do ano passado e chegaram a assinar um acordo de intenções. O contrato foi terminado pelo não cumprimento de cláusulas pelos japoneses, afirmou Aguiar.

 

 

 

Reportagem: NMB

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