Em um Brasil “nebuloso”, morre de forma duvidosa um ministro do STF

Coluna do Branco

A Infraero informou que a aeronave prefixo PR-SOM, modelo Hawker Beechcraft King Air C90, decolou às 13h01 do Campo de Marte, na capital paulista com destino a Paraty, litoral do Rio de Janeiro. A distância entre os pontos de saída e chagada não chega a 200 km, ou seja, deslocamento curto para os padrões aeronáuticos. Faltando apenas dois quilômetros para que chegasse à pista para o procedimento de pouso, a aeronave mergulhou no oceano atlântico.

Quatro passageiros estavam no avião bimotor. O caso tomou grandes proporções por conta da confirmação da presença de Teori Zavascki, ministro do Supremo Tribunal Federal e relator da referida Corte no caso da operação “Lava Jato”.

Nos próximos dias o magistrado iria homologar o maior acordo de delação premiada coletiva do país. Um total de 81 executivos da construtora Odebrecht teriam seus depoimentos enviados pelo ministro ao procurador da República, Rodrigo Janot, para iniciar os procedimentos de investigação. A delação da Odebrecht prometia estremecer as estruturas da capital federal. Dezenas de políticos estavam em listas de recebimento de propinas, segundo os delatores.

O presidente Michel Temer teve o nome (codinome MT) citado 43 vezes. Seu assessor mais direto, Elizeu Padilha, 45 citações. Outro “braço direito” de Temer, Moreira Franco, apareceu de forma nominal 34 vezes. O senador Romero Jucá, conhecido por negociar procedimentos nada republicanos por telefone, têm 105 menções nas delações. A lista é grande: Aécio Neves, Rodrigo Maia, José Agripino, Jaques Wagner, só para citar os mais conhecidos. Brasília aguardava com temor e muita expectativa quem sobreviveria após a homologação de Teori.

Pela circunstância política do país e o papel-chave que o ministro ocupava no processo, sua morte de forma repentina, às vésperas da retomada dos trabalhos para a finalização do processo de homologação, levanta suspeitas, questionamentos e as famosas teorias conspiratórias. Teori teria sofrido um atentado? O acidente foi planejado? Ocorreu de forma acintosa? Ou foi um acidente aéreo dentro de circunstâncias ocasionais, sendo, portanto, uma infeliz fatalidade que vitimou quatro pessoas?

O que intriga é justamente a proximidade de fatos. O ministro ter perdido a vida exatamente em um momento decisivo dentro da operação Lava Jato e de forma trágica.

Inegavelmente, o Brasil vive uma intermitente crise política. Um traumático processo de impeachment, o segundo impedimento presidencial em 24 anos de regime democrático, e que parece ter criado no país um clima de desconfiança geral, de instabilidade de todas as ordens. Um autofagismo institucional, no velho chavão do “salve-se quem puder”. Sem exageros estamos sem rumo. Perdemos o sentido. Sem dúvida, a quebra do regime democrátivo ocasionou e criou essa desorientação nacional.

Neste contexto que se reforça e toma força diversas suposições sobre a morte do ministro Teori Zavascki. Seria loucura, um devaneio supor que foi um atentado? A história brasileira aponta que não. Ontem, muitos champanhes foram abertos em Brasília.

Por.

Henrique Branco

COMENTE VIA FACEBOOK

Deixe uma resposta