Aluna da Unifesspa é indicada a prêmio internacional

Foto: Divulgação/Unifesspa

A aluna do 8º período do curso de Direito da Terra (Turma “Frei Henri Burin des Roziers) da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Pronera/Unifesspa) Claudelice Silva dos Santos foi indicada ao Prêmio Sakharov de 2019, na última quinta-feira (19), oferecido pelo Parlamento Europeu.

Ela é ambientalista e defensora de direitos humanos e se tornou uma ativista após o assassinato de seu irmão e cunhada Zé Cláudio e Maria do Espírito Santo, respectivamente, que foram mortos por seus esforços para combater a extração ilegal de madeira e o desmatamento na floresta amazônica brasileira. Eles eram ambientalistas e agricultores extrativistas que denunciavam grilagem de terras e o desmatamento ilegal que ocorria no projeto de assentamento agroextrativista Praia Alta Piranheira, onde viviam.

Segundo a ambientalista, ela participou de uma vídeoconferência com o Parlamento Europeu na qual a deputada Hannah Neumann falou da proposta de indicação do nome dela por um grupo de parlamentares e fez o convite para que ela aceitasse. “Eu ponderei todas as questões que me foram apresentadas, inclusive sobre a visibilidade que o prêmio causa e, se isso, iria prejudicar de alguma maneira a minha integridade física, e ao final eu achei melhor aceitar”, disse ela.

“Essa indicação representa o reconhecimento das lutas. Não é uma luta minha, não é a Claudelice que está sendo premiada, é uma causa que está sendo indicada. É em nome de várias pessoas que já perderam suas vidas por causa dessa luta, que eu continuo nesse propósito. Não é só uma pessoa, é uma classe de defensores que viveram e vivem suas vidas sob risco, principalmente por defenderem direitos básicos, como o direito à vida e ao meio ambiente”, destacou Claudelice.

Segundo ela, a partir de sua história de vida, do assassinato do seu irmão e cunhada, a luta foi intensificada para dar visibilidade aos casos de assassinatos, bem como prevenir novos casos de mortes no campo. “Existe uma lista de pessoas ameaçadas de morte e essas pessoas precisam de atenção e cuidado para que possam continuar lutando por direitos”, pontuou a ambientalista.

“Nossa região tem um histórico de muita violência no campo; muitos defensores já foram assassinados – camponeses simples, pesquisadores, advogados que enfrentaram o ‘capital’, os sistemas de violência e de violação dos direitos humanos. O prêmio só vem mostrar que o trabalho que essas pessoas fazem em defender esses direitos é justo e digno; e isso, não é só para nós, isso é para gerações futuras, visto que nós queremos continuar existindo com dignidade e qualidade de vida nessa terra. Essa indicação me deixa muito feliz porque eu tenho a convicção de que estou do lado certo: do povo que sofre, que é silenciado e criminalizado e eu me orgulho muito disso”.

Sobre o prêmio

O Prêmio Sakharov é concedido anualmente pelo Parlamento Europeu a ativistas de direitos humanos em todo o mundo. A votação dos três candidatos finalistas ao Prêmio Sakharov de 2019 ocorrerá em uma reunião conjunta dos comitês de relações exteriores, direitos humanos e desenvolvimento em outubro e, depois disso, a Conferência dos Presidentes tomará a decisão sobre o laureado final. A cerimônia de premiação ocorrerá em dezembro, durante a sessão plenária em Estrasburgo.

Socialistas e democratas no Parlamento Europeu nomearam três ativistas brasileiros para o prêmio. Eles representam vozes pelos direitos humanos e proteção do meio ambiente.

Além da aluna da Unifesspa Claudelice Silva dos Santos, também estão os nomeados o Chefe Raoni, líder carismático e internacionalmente famoso do povo Kayapó, um grupo indígena brasileiro. Ele cruza há quatro décadas para salvar sua terra natal, a floresta amazônica. Ele é um símbolo vivo da “luta pela vida” das tribos, uma luta para proteger sua cultura única, diretamente ligada à própria natureza.

Marielle Franco (póstuma), uma política brasileira abertamente gay, feminista e ativista de direitos humanos que foi uma crítica franca da brutalidade policial e assassinatos extrajudiciais. Ela atuou como vereadora do Rio de Janeiro de janeiro de 2017 a março de 2018, quando foi baleada e morta junto com seu motorista.

Outro nome que figura na lista dos indicados ao prêmio é do ex-deputado federal Jean Wyllys, que decidiu este ano deixar o Brasil e morar na Europa diante do número crescente de ameaças por sua luta pelos direitos LGTBI.

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