Avanco embarca primeira carga de concentrado de cobre

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A Avanco Resources iniciou, nesta semana, o embarque de concentrado de cobre, após quase nove anos de estudos e construção de uma mina e planta de beneficiamento de minério de cobre em Curionópolis (PA). A inauguração foi na terça-feira (19) e contou com a presença de um dos gestores da BlackRock, um dos maiores fundos mundiais que investe em mineração.

Foram quase nove anos estudando o depósito e preparando a construção da mina de Antas Norte. A capacidade de projeto é de 45 mil toneladas de concentrado, o suficiente para fabricar 12 mil toneladas de cobre metálico por ano e conter 7 mil onças de ouro. Foram gastos até agora US$ 55 milhões, a maior parte injetados pela companhia americana BlackRock, e uma expansão já é planejada por meio do projeto Pedra Branca.

“O que nós precisamos é dos recursos para tocar o novo projeto. Lá [em Pedra Branca], a mina será subterrânea, a primeira do Pará, mas precisamos de algumas garantias do governo”, diz o geólogo e advogado Luís Maurício Azevedo, diretor-executivo da Avanco.

Entre os problemas, segundo ele, está a legislação trabalhista, que proíbe o trabalho em minas do tipo por mais de seis horas. “Às vezes leva 45 minutos só para se chegar ao local de trabalho”

Essa expansão tem potencial para produzir o triplo de Antas Norte. O investimento necessário será de ordem semelhante, em comparação com a unidade de Curionópolis, algo perto de US$ 165 milhões. “Queremos ser líderes na exploração subterrânea de Carajás”, afirma Tony Polglase, presidente do grupo australiano. O projeto está atualmente na fase de estudos.

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A Avanco tem capital aberto na bolsa de Sydney e o maior acionista é a Appian Natural Resources, fundo de investimento em recursos minerais, com 18,45%. A Greenstone possui 16,7% e o BlackRock World Mining, 14%. A trading Glencore detém 8,27% das ações, uma vez que o projeto Pedra Branca foi comprado em 2012 da Xstrata, mineradora adquirida pela Glencore.

Mas o aporte da BlackRock foi mais significativo e a administradora de fundos ganhou direito a royalties da venda. “Investimos porque a geologia tinha potencial e a região ao redor apóia a mineração. Além disso, a equipe contratada era de boa qualidade técnica para gerar valor com o ativo”, afirma Evy Hambro, gestor do fundo da BlackRock.

A Avanco tem meta de receita de US$ 35 milhões, em 2016. Mas, em 2017, quando funcionará a plena capacidade durante todo o ano, acredita poder aumentar para US$ 50 milhões ao ano. Melhorias na unidade podem levá-la a produzir até 18 mil toneladas de cobre. O produto será destinado integralmente para a Ásia.

A Avanco quer fazer parte de uma outra onda da mineração, e especificamente do Pará, de empresas de médio porte. A região é bastante conhecida por ser uma área dominada pela Vale, e um local no qual o projeto de minério de ferro S11D, está para iniciar suas atividades neste ano. Mas a Avanco pretende ser uma junior company eficiente, não de alto custo.

Dentre as medidas que possibilitaram nível mais baixo de despesas do que o normal, está o uso de equipamentos de segunda mão na construção e na lavra de Antas. Além disso, a companhia australiana contratou profissionais experientes, mas que estavam disponíveis no mercado depois que se encerrou o superciclo das commodities. As negociações com os governos federal e estadual, em um momento no qual o Pará tenta acelerar o desenvolvimento mineral, também foram mais produtivas.

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“Com o início da operação agora, cria-se a oportunidade de se beneficiar da recuperação das commodities. Foi até bom o preço cair enquanto era pré-operacional, assim a empresa não deixou de ganhar receita durante o processo”, diz Hambro, do BlackRock.

Ontem, o preço da tonelada de cobre na bolsa de mercadorias de Londres (LME) voltou a se aproximar de US$ 5.000, mas ainda está longe dos US$ 6.000, cotação de quando a Avanco iniciou a construção, e ainda mais longe dos US$ 9.600 a tonelada registrados em 2010, quando o empreendimento ainda estava em fase de pesquisa.

Com a estratégia atual do Pará de agregar valor aos produtos, autoridades locais cobram da Avanco a verticalização da produção. O problema é que um dos subprodutos da transformação do metal é o ácido sulfúrico, poluente e com mercado muito pequeno para a venda. “Precisamos quebrar essa barreira [da verticalização]”, declarou Eduardo Leão, diretor de geologia e mineração da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) do Pará.

Também estiveram presentes ao evento Ben Muston, do fundo Appian; Mark.Rozhanskiy, da Glencore; Tim Simpkim, do fundo Greenstone Resources; e o secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do MME, Carlos Nogueira da Costa Junior.Com informações do jornal Valor.

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