Audiência Pública debate futebol feminino no Pará

Foto: ascom/ALEPA

Falta de patrocínio, apoio financeiro, pagamento de salários, preconceito. Estes foram os principais problemas apresentados durante a audiência pública realizada na tarde de quarta-feira, 16, no auditório João Batista, para debater a prática profissional do Futebol Feminino.

A audiência intitulada “Em defesa do futebol feminino paraense”, foi presidida pela deputada estadual prof. Nilse Pinheiro. “O futebol sempre foi um dos esportes mais praticados no Brasil, e mesmo com tanta popularidade, ainda não existem políticas públicas voltadas especificamente para o futebol feminino”, destacou a parlamentar na abertura da audiência. “A falta de investimentos de grandes clubes, a não valorização das atletas e, aliado a todos os problemas estruturais, ainda temos o preconceito, são fatores que levam muitas atletas a desistirem do sonho de jogar profissionalmente”, lamenta a profª Nilse.

Na audiência pública, estavam presentes atletas, técnicos de clubes, representantes da Secretaria Estadual de Esporte e Lazer (SEEL) e das Federações Paraenses de Futebol e de Futebol de Salão, além de outros interessados no tema. A discussão foi aberta ao público, que lotou o auditório.

Em discurso, o representante da SEEL falou especialmente para as atletas. “Vocês representam um esporte fundamental no Brasil. Sabemos das dificuldades, mas vamos superar isso com trabalho para termos condições de atrair mais apoio”, garantiu Erivelton Pastana.

Os representantes dos times paraenses enumeraram os problemas enfrentados. “Remos que ouvir as pessoas que enfrentam esses problemas no dia a dia, para encontrar meios de manter o futebol feminino. Se os grandes times enfrentam dificuldades, imagine os menores, que tem torcidas pequenas, como sofrem sem investimentos”, falou Ueda Almeida, vice presidente do Payssandu.

Elen Malato, da Tuna Luso, destacou que “o futebol feminino precisa de mais visibilidade e mais investimentos para poder ter resultados. Sou atleta e sei o que todas nós passamos nesse meio”.

O diretor do Remo, Marcelo Bentes, falou do preconceito à modalidade. “É preciso ter mais respeito pelas atletas. Nosso objetivo é ter o crescimento do futebol feminino, mas isso só vai acontecer com todos unidos”, garantiu.

Os problemas enfrentados não acontecem apenas em campo. Nas arquibancadas, as mulheres também enfrentam preconceito. Segundo geisa Macedo, do Movimento feminino de Arquibancadas, é preciso far mais apoio à torcida das mulheres. “Não temos uma estrutura mínima para as mulheres, isso é visível em pequenas coisas, como a falta de banheiros femininos suficientes. E ainda enfrentamos a falta de segurança e o machismo, muito presente nesse universo. Queremos respeito”, afirmou a torcedora.

Campeonato Paraense Feminino

A audiência aconteceu a poucos dias do início do Campeonato Paraense de Futebol Feminino. A Federação Paraense de Futebol (FPF) ainda não divulgou a tabela completa desta temporada, o que deve acontecer ainda essa semana. Para o representante da Federação, Maurício Bororó, “o futebol feminino está sem recursos ainda, mas é importante termos o apoio da Assembleia Legislativa”, avaliou, nomeando a deputada Nilse como madrinha da modalidade. “Vamos buscar junto ao Governo e à Funtelpa, meios de garantir a transmissão dos jogos do campeonato feminino. O presidente da Alepa, deputado Dr. Daniel, já colocou a TV Alepa à disposição para fazer essa transmissão”, anunciou.

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