Mais de 30 mil candidatos faltaram à prova do Detran neste domingo

Foto: Agência Pará / Wagner Santana

Dos 53.600 inscritos, 30.435 faltaram à prova do concurso do Departamento de Trânsito do Pará (Detran), realizada neste domingo (28). O certame ofertou 34 vagas para o cargo de agente de educação de trânsito, que oferece remuneração de R$ 2.191,52.

Tricia Garcia foi uma das primeiras a chegar à Faculdade Estácio, na manhã deste domingo (28), para realizar a prova. Desde às 6h30, aproximadamente, a professora de espanhol aguardava a abertura dos portões, marcada para às 7h.

A aplicação das provas objetiva e discursiva ocorreu das 8h às 12h, em 63 escolas da capital paraense. Para Tricia, fazer a prova novamente é uma oportunidade. “Tive mais tempo para estudar, para me concentrar melhor e para praticar a redação. A gente tem a vantagem de saber o ritmo da prova. Além disso, eu tinha borrado o cartão resposta na outra vez. Quando foi à noite, disseram que tinha sido cancelada, então vou ver se me saio melhor”, disse.

O primeiro exame para o cargo, realizado no dia 10 de fevereiro deste ano, foi cancelado após denúncias de fraude. O envelope com as provas teria sido aberto antes do horário previsto. Quatro mulheres foram presas durante a realização do certame do turno da tarde: uma por se passar por uma candidata e três por usarem aparelhos eletrônicos. Os casos estão sendo investigados pela Polícia Civil. A prova para o cargo de agente de fiscalização – 66 vagas – não teve nenhum incidente registrado e, por isso, foi considerada válida.

Segunda chance – Laíse Lima, 22, também viu na anulação da primeira prova uma oportunidade. Na primeira vez, a jovem, que ajuda os pais com a produção e a venda de peças de artesanato, não conseguiu chegar a tempo de fazer o exame. Os últimos dois meses e meio foram essenciais para que ela conseguisse estudar todo o conteúdo programático, mesmo que sozinha, em casa. Sem poder se matricular num cursinho preparatório, inclusive para o vestibular, devido às dificuldades financeiras dos pais, Laíse vê no concurso a possibilidade de contribuir com as contas da família.

“Eu dependo dos meus pais e eles não têm boas condições financeiras. Vendemos bolsas, sapatos, em um carro que vamos conduzindo da Marambaia, onde moramos, até a CDP, na Arthur Bernardes. Eu sonho com estabilidade”, conclui a estudante, que ainda persegue o sonho de ser aprovada em engenharia mecânica na Universidade Federal do Pará (UFPA).

A estabilidade é quase sempre o principal atrativo de um concurso, segundo o auxiliar de escritório Laercio Moura. Aos 45 anos, ele diz que a rotina de trabalho durante a semana é estressante, então procurava sempre estudar aos finais de semana. “Vai melhorar meu salário, meu padrão de vida, isso com certeza”. A expectativa da prova é boa, mas existe o receio de não se sair tão bem como na primeira. “Eu estudei um pouquinho, mas meu medo é não me sair bem como acho que me saí na primeira vez”, finaliza.

Regras – Foi exigido que os inscritos utilizassem caneta esferográfica na cor preta com cano transparente, e levassem documento de identificação atual com foto e cartão de inscrição. Não é permitido o uso de objetos eletrônicos, como celular, pager, relógios digitais, fone de ouvido. Todos os candidatos passaram por revista para garantir da lisura do certame.

Por Natália Mello

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