Transformação e legalização da atividade mineraria é uma das reivindicações  do momento

Mineração na Amazônia. (Mario Tama / Staff/Getty Images)

Todo mundo quer fazer ou diz que está fazendo um trabalho justo honesto porém sem estar autorizado e com grandes impactos socioeconômicos e degradação do meio ambiente.

No entanto, em bem pouco tempo os reflexos desta operação clandestina em área oneradas mostram que no máximo um terço dos esforços de transformação e legalização estão bem encaminhados com planejamento e metodologia.

Pessoalmente, acho esse número exagerado. Pela minha experiência, acredito que o número de projetos de transformação e legalização que darão certo é bem menor do que 33%.

Isso acontece por muitos motivos e gostaria de falar de alguns deles agora.

O “motivo zero”, que nem vou colocar na conta, é que cada pessoa falando de “transformação e democratização da mineração com legalização está normalmente se referido a uma coisa diferente.

Há quem pense que transformação no conceito de extração mineral de forma precária e predatória associado a recuperação de áreas degradadas é mobilizar a opinião pública e comprar a tecnologia mais recente e brilhante e começar como mudar no toque de mágica como uma varinha de condão.

Há quem confunda transformação e legalização com solução para todos as mazelas e solução para todas os problemas que hoje afrigem toda a nossa região começando pelo passivo ambiental e legalizar as operações existentes

E ainda existem empreendedores que pensam que transformação na legislação vigente é algo que possa ser feito separadamente em cada departamento ou área do arcaboiço jurídico brasileiro sem quebra de contratos de concessão e ameaça ao contratos de concessão e exploração mineral existe.

De forma geral, o que parece estar faltando na maioria dos casos é boa e velha Visão Holística da organização do direito minerário e o marco regulatório da mineração .

Quem acompanha o meu trabalho sabe que sempre insisto neste assunto, e que, para mim, a Visão Holística da indústria da mineração é composta de três partes coordenadas, a Estratégia, a Arquitetura Corporativa do mercado e de Negócio, e a Cultura local e Organizacional das empresa e cooperativas

Usando esse referencial, vamos ver em seguida como é que a falta de alinhamento com cada um desses três itens impede projetos de transformação e legalização de darem certo para grande maioria dos pequenos mineradores e suas cooperativas na mineração na região de Carajás .

Depois disso, falaremos de dois itens adicionais: as deficiências em soft skills nas equipes das empresas e, por último, o fato surpreendente e paradoxal de que algumas das empresas que dizem estar fazendo transformação e buscam a legalização e na verdade já aguardam por soluções simplistas e poder apenas do decreto Federal.

1. Desalinhamento com a Estratégia e visão de curto prazo.

A transformação e legalização diz respeito à utilização das operações existentes e emprego de tecnologias para a transformação do negócio como um todo.
Gerando empregos e renda na região.
Recuperação de áreas degradadas pela atividade mineraria em regime de lavra garimpeira.
Planejamento e definição clara de onde se quer chegar e quais os recursos disponíveis para atingir os objetivos e metas a serem alcançadas no curto médio e longo prazo.

Então, é evidente que a ideia de transformação e legalização não pode ser apenas um item no Plano Estratégico, mas sim uma espécie de “pano de fundo” ou premissa sobre a qual a estratégia da empresa como um todo é desenhada.

É fácil identificar estes desalinhamentos: empreendedores não engajados nem comprometidos, metas estratégicas que ignoram completamente a ideia de transformação e legalização falta de objetivos e iniciativas de recuperação das áreas degradadas pela atividade mineraria e assim por diante.
Ganância e esperteza sobressaindo.

Talvez o indicador mais marcante desta falha seja a ideia de que “a transformação e legalização é responsabilidade apenas do governo .

Enquanto a transformação e legalização não for vista como atribuição e responsabilidade de todos dos mais altos níveis da administração pública e os responsáveis da empresa (do time de liderança como um todo, não apenas do governo ) ela simplesmente não vai acontecer.

2. Falta de atenção à Arquitetura Corporativa do mercado e do Negócio

Nesta categoria caem as iniciativas de transformação e legalização isoladas, vistas como responsabilidade de áreas ou departamentos separados como licenciamento e concessões.

Normalmente, isto é consequência do problema identificado no item anterior.

Mas mesmo em operações onde existe comprometimento, vemos os empreendedores chefes de cada cooperativa em cada área tentando fazer a tal transformação e legalização e lê seus interesss isoladamente dos demais. Isso leva a redundâncias, retrabalho, falta de integração e às enormes dificuldades em termos de tempos e custos quando se quer fazer qualquer mudança.

Na falta da visão sistêmica, integrada, holística que a arquitetura corporativa de mercado e de negócio dá, em vez de transformação e legalização vemos uma série de “transformações na mineração na região de Carajás ” parciais, que não falam umas com as outras.

3. Desalinhamento com a Cultura local e Organizacional das pequenas mineradoras e cooperativas na mineração

O relacionamento entre cultura organizacional e transformação e legalização é complexo e de quatro mãos.
Por um lado, não adianta tentar transformar a mineração sem inclusão econômica e social com uma organização numa direção incompatível com a sua cultura, ou seja, seus valores e crenças básicos compartilhados entre todos sem exceção .

Se, por exemplo, um dos valores da empresa é o respeito ao meio ambiente e atendimento as comunidades vizinhas e ação apenas personalizado a cada cliente, e a empresa pretende preservar este valor, todo esforço de transformação e legalização tem que levar isso em conta, ou seja, novas formas, mais democráticas de relacionamento com o cliente não poderão substituir completamente relacionamento individual e pessoal.

Por outro lado, a transformação e legalização pode exigir mudanças na cultura da organização. Isso é sempre difícil, tanto por razões políticas quanto pela velha “resistência à mudança”, que ocorre em qualquer processo de transformação ou não.

Se, por exemplo, a empresa não tem uma cultura de excelência no atendimento ao cliente, é improvável que a transformação e legalização funcione, uma vez que um dos seus pontos principais é justamente usar a geração de empregos e renda na região e geração de valor com emprego de tecnologias para atender melhor a estes mesmos clientes e dar sustentabilidade econômica do município.

Levar em conta a cultura local e a cultura organizacional nos processos de transformação e legalização significa, portanto, reavaliar a cultura tal como ela é hoje, decidir o que quer ser mantido e o que precisa ser mudado, e planejar e executar estas mudanças.

No caso dos aspectos da cultura que merecem ser mantidos, isto tem que influenciar o desenho das iniciativas de transformação e legalização das operações existentes e da futuras gerações.

4. Falta de Soft Skills

Embora este item esteja relacionado ao anterior, por sua importância ele merece aqui um tratamento à parte.
Sem a aquisição dos chamados soft skills por parte dos colaboradores da empresa, qualquer esforço de transformação e legalização será muito difícil.

Competências tais como visão sistêmica, negociação, trabalho em equipe, comunicação (e assim por diante) são fundamentais para superar os obstáculos mencionados nos itens anteriores.
Necessário para promover a inclusão econômica e social Defesa das pequenas mineradoras e cooperativas na mineração na região de Carajás
Infelizmente, a imensa maioria das empresas, com ou sem projetos de transformação e legalização ignoram solenemente esta questão.

Seus programas de treinamento e capacitação de funcionários não incluem esses itens, essas competências mal aparecem nos processos de definição de metas e avaliação de desempenho e nos demais processos de Gestão de Pessoas.
O trabalho é informal e preçário.
Poucas empresas pensam em fazer transformação e legalização sem a participação dos trabalhadores achem que a responsabilidade é exclusivamente da área governamental , como vimos mais acima. Infelizmente, muitas tentam fazer isso sem o engajamento da área de Gestão de Pessoas.
Com inclusão e justiça social.
Não vai dar certo ..
O TAC inclui as relações de trabalho participativo e com presença do estado brasileiro para apoiar e resgatar o desenvolvimento da região.

5. Você já fez

Este último item tem relação com a “transformação e legalização “.
Como todo mundo quer aparecer bem na foto dizendo que está ajudando e lutando fazendo “mobilização “, acabamos por ver a situação levemente bizarra de instituições, empresas e pessoas braçando a causa da pequena mineração que, na realidade estão fazendo ativismo político sustentado na fala do presidente de dar legalidade a atividade garimpeira .

Refiro-me, por exemplo, a entidades e às empresas do setor de serviços , especialmente as ligadas ao meio ambiente
Poderíamos simplificar a definição de “transformação e legalização l” dizendo que um de seus aspectos principais trata de disponibilizar a capacidade de trabalho participativo , projeto e tecnologia para os clientes finais das empresas e cooperativas na mineração na região de Carajás , e não apenas para os próprios interesses , que é o caso da recuperar áreas degradadas e processos tradicional de verticalização da cadeia mineral . “O Usuário é o Cliente!” é o lema vinculado a esta ideia.

Ora, é o que as empresas que usam a tecnologia para se relacionar diretamente com os clientes, como os grandes grupos mineradores e multinacionais , vêm fazendo há décadas.
Claro que isso não significa que tudo é perfeito, lindo e maravilhoso. Transformação e legalização l é um processo contínuo, não acaba nunca. Mas tem muita gente que já começou faz décadas e até hoje não atingiu seus objetivos .

E é levemente engraçado ver essas empresas anunciando que estão “fazendo transformação e legalização ” como se tivessem embarcando nisto agora e só agora se deram conta que estão ilegal .
E que a atividade de extração mineral com degradação do meio ambiente e crime inafiançável.

Conclusão

O resumo da ópera é que, se as empresas querem que transformação e legalização passe do nível de buzzword para a realidade, elas terão que garantir que todo o time de alta administração governamental e empreendedores na pequena mineração tenha a visão holística necessária, que ela não seja apenas mais um item mas sim o pano de fundo de toda a estratégia das pequenas mineradoras e cooperativas na mineração , que existam processos de arquitetura corporativa de mercado e de negócio que garantam a implementação de inclusão econômica e social Defesa das pequenas mineradoras e cooperativas na mineração na região de Carajás novas formas de fazer negócios na região está consolidando tecnologias de maneira ordenada e integrada, e que os aspectos culturais e políticos sejam levados em conta de forma muito mais profunda do que normalmente são.

MINERAÇÃO é coisa muito séria.

Vamos adiante .
Deus no comando.

WJN

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