“Agonia do Águas Rasas”: Morre o rio Parauapebas

Jaz o rio, morrendo, ferido e indefeso como um ser vivo desprotegido e agonizante.
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Seca no Rio Parauapebas Foto: Jorge Clésio / Portal Canaã

Passa ano entra ano, muda governo entra governo e o rio continua agonizando. Triste agonia do Rio Parauapebas.

Segundo especialistas, o rio perde a qualidade da água principalmente na área urbana da cidade, resultado de captação e tratamento inadequados do esgoto. Falta de saneamento básico e descaso do poder público.

O Rio Parauapebas morre, como um mártir lutando pela bravura de sobreviver e liberdade de trilhar seu desatino com o paladino da vida há milhões de anos na serra dos Carajás .

“Rebaixamento do lençol freático na região afetou o gradiente de contribuição das nascentes na bacia do rio e isto está afetando sua perenidade. Há trinta anos ele vem sendo castigado e cada vez mais contaminado.”

Morre como a palavra, pela omissão e o silêncio, morre de boca em boca desta gente das margens, morre pela boca das autoridades, dos animais, morre pela amargura da água e pelo desprezo do poder público .

E já se ouvem seus gemidos, seu estertor.

As feridas são nossas e tocam os ombros, semelhante ao fardo de seu caixão, que pesa muito, pesa infinitamente sobre as migalhas da mineração.

Há três anos consecutivos escrevo sobre está situação omissa dos setores organizados da sociedade , poder público e a Vale:

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Nem compreendemos o que fazer com ele, no rebuliço e zumbir dos insetos, da sucuri que não repara para onde se move, agarrado às raízes do barranco, ou das árvores que não acolhem mais os pássaros.

Ou é o mundo que para e não podia parar, parou e apodrece com o rio.

Cem centímetros de profundeza, cem centímetros de lume, mergulhado com a cabeça em nadas de sombra e em meio dos pedregulhos .

E o que restou da lágrima? Uma pedra.

O que restou da dor, só lama que não ladra, não olha, não sente, não ama.

O rio seca de morte, seca, amargo, sem identidade, rosto e já morde a noite.

Quem o salvará ?

São acaso promessas, as verbas, a construção de novas casas, novo povoado, o desamparo dos habitantes, o rumor de políticos à beira, sussurrando, como em velório, o soluço dos que, confiados, o guardavam, a insegurança das represas, os furos do engano, a técnica da técnica na indústria mineral rebaixado a água?

Jaz o rio, morrendo, ferido e indefeso como um ser vivo desprotegido e agonizante.

Vamos salvar o águas rasas .

Deus no comando.

WJN



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