Indústria 4.0: Vale iniciará testes para a implantação de dois caminhões fora de estrada autônomos na mina de Carajás

O caminhão autônomo está em montagem e entrará em operação para produção em junho de 2020

A Vale iniciará, em novembro, fase de testes para a implantação de dois caminhões fora de estrada autônomos na mina de Carajás. A inovação vem aliada a ações de desenvolvimento e capacitação dos profissionais da mina para acompanhar a tendência mundial da Quarta Revolução Industrial, também chamada de indústria 4.0.

Na operação autônoma, os caminhões são controlados por sistemas de computador, GPS, radares e inteligência artificial e monitorados por operadores em salas de comando a quilômetros de distância das operações, o que traz ainda mais segurança para a atividade.

Ao detectar riscos, os equipamentos paralisam suas operações até que o caminho seja liberado. Os sensores do sistema de segurança são capazes de detectar tanto objetos de maior porte como grandes rochas e outros caminhões, bem como seres humanos que estejam nas imediações da via.

De acordo com o Diretor o Corredor Norte da Vale, Antonio Padovezi, além do fator segurança, o uso de equipamentos autônomos em Carajás, maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo, garantirá maior sustentabilidade para a mineração brasileira. “É mais um avanço que traz ganhos sociais, ambientais e econômicos, reduz a exposição dos empregados a riscos, aumenta a competividade, reduz a emissão de gases poluentes e ainda impulsiona uma capacitação e evolução das competências profissionais, acompanhando uma tendência natural e vivenciada hoje no mercado em todo o mundo”, diz Padovezi.

Capacitação

O que antes poderia parecer ficção científica com caminhões funcionando sem operador em cabine já é realidade fora do país e, também, na mina de Brucutu da Vale, em Minas Gerais. A implantação da operação autônoma vem ocorrendo aliada a ações de desenvolvimento de pessoas, coordenado por profissionais de Recursos Humanos, Gestão de Mudanças e de Inovação e Tecnologia, o que inclui a criação de um centro de treinamento na cidade de Parauapebas pela empresa fornecedora.

A novidade já foi implantada na mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), que este ano passou a operar somente com caminhões fora de estrada autônomos, num total de 13 caminhões. Todos os operadores que dirigiam antes estes caminhões de forma tripulada foram realocados para outras funções. Parte da equipe foi realocada para a gestão e controle dos equipamentos autônomos e outra parte assumiu novas ocupações oriundas da tecnologia ou foram realocados para outras áreas.

O mesmo conceito de Brucutu foi aplicado em Carajás, com sucesso, no projeto de operação autônoma das perfuratrizes. O projeto iniciou em julho de 2018. Já são três equipamentos autônomos das 11 perfuratrizes em operação na mina de Carajás.

Há nove anos, Ana Paula Lemos era operadora de perfuratriz convencional na frente de lavra, recebeu capacitação e há um ano, tornou-se a primeira mulher a controlar um equipamento autônomo em Carajás. Hoje ela monitora a perfuratriz de uma sala de controle localizada a cerca de 5 km da mina. “No autônomo, estamos em um ambiente com menor exposição aos riscos, longe da movimentação das máquinas e do trânsito. Busquei aprender, não ter medo e é mais fácil comandar para quem já tem experiência de trabalho tripulada, que conhece a máquina. Quando tive a oportunidade, abracei mesmo a causa e me sinto privilegiada de ser, por enquanto, a primeira mulher a operar de forma remota”, descreve a parauapebense.

Ainda este ano, em Carajás, dois caminhões autônomos iniciam a fase de comissionamento (testes de componentes, telecomunicações etc) em área isolada da mina. A entrada em operação definitiva para produção deverá ocorrer no final do primeiro semestre de 2020. Todos os profissionais que irão interagir com os equipamentos autônomos serão treinados. Diferente de Brucutu, a mina de Carajás funcionará parte de forma autônoma, mas também continuará com a operação convencional. Os resultados serão avaliados para a expansão da frota. Estima-se que até 2024 estejam operando 37 caminhões autônomos em Carajás, o que representa cerca de 40% da frota atual.

Transformação Digital

A Vale está implantando um programa de transformação digital para avançar na Indústria 4.0. O avanço favorece a segurança, aumenta a eficiência operacional e a competitividade internacional. Entre as inovações tecnológicas desenvolvidas pela empresa estão Inteligência Artificial, aplicativos móveis, robotização e equipamentos autônomos (como caminhões e perfuratrizes).

A operação autônoma de caminhões integra programa de transformação digital iniciado pela Vale em 2016.Para a chefe da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe, Alicia Bárcena, a indústria  4.0 é uma realidade. “Com a Transformação Digital e a evolução tecnológica, 65% das crianças de hoje trabalharão em profissões que ainda não foram inventadas.”, disse Bárcena em assembleia da ONU, em 2018.

Experiência anteriores com operações autônomas como a de Brucutu e perfuratriz autônoma em Carajás demonstram essa transformação do trabalho e o surgimento de novas profissões como Operador de Sistema Autônomo, Analista de Projetos, Técnico de Estrada Digital ou Técnico de Mina de Sistemas Autônomos,dentre outras.

Competividade

Com base em dados de mercado da tecnologia, a Vale espera conseguir aumento da vida útil de equipamentos da ordem de 15%. Estima-se ainda que o consumo de combustível e os custos de manutenção sejam reduzidos em 10% e que haja um aumento da velocidade média dos caminhões. A operação autônoma também traz relevantes benefícios ambientais. A economia de combustível usado nas máquinas resulta em volume mais baixo de emissões de CO2 e particulados e ainda reduz a geração de resíduos como peças, pneus e lubrificantes.

 

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