Educadora Eva Monteiro é a nova colunista do Portal Canaã; conheça


Falar sobre nós parece ser fácil, mas percebo que esta primeira impressão é extremamente errônea. Primeiro, porque poucas vezes em nossa vida paramos para refletir ou mesmo relembrar o que já vivemos. Assim, muitas coisas acabam passando despercebidas ou sendo esquecidas com o passar do tempo. Segundo, porque escrever requer muito mais do que lembranças e é, na maioria das vezes, um processo doloroso, principalmente para quem passou por uma “educação positivista” (cf. Silva, 1996), baseada na memorização e não na construção de conhecimentos.

A nossa vida nada mais é do que um livro por escrever. Assim, a cada dia, escrevemos uma página deste livro (agora coluna) e são algumas destas páginas que desejo compartilhar, relembrando aspectos da minha história que possam ilustrar um pouco da trajetória da minha vida, com destaque para o processo de minha formação pessoal e experiência profissional enquanto educadora.

Desde criança quis ser professora. Minha história com educação teve inicio  muito  cedo, brincava de professora com minhas colegas de infância, pintava, desenhava, lia literatura de cordel, e de, onze para doze anos dava aula de catequese na igreja do vilarejo em que morava.

Eram 12 alunos matriculados na minha caderneta e  eu rigorosamente não permitia falta para não repetir o mesmo assunto na aula seguinte, as crianças se divertiam e encaravam como uma aula da escola normal.

Poder contribuir com a aprendizagem daquelas crianças era uma grande satisfação.

Dai, percebi que estava nascendo dentro de mim  o espirito de educadora e, já estava mergulhada no mundo da educação. Com esse contato diário com as crianças fez me apaixonar ainda mais pela arte de ensinar, pois acredito ser um dom que muitos não possuem, porém insistem, mas a prática nos leva a  cada dia interessar mais pela educação e seus princípios.

Hoje, tenho como  objetivo principal transformar a vida dos meus alunos, tornando-os cidadãos críticos em um país em que a desigualdade social é quem manda.  Posso não mudar o mundo, mas posso mudar o mundo de alguém e isso para mim já será uma grande parte da longa caminhada. Se cada um fizer um pouquinho conseguiremos melhorar muitos pontos relevantes da educação brasileira.

Confesso que para poder conquistar esta etapa de minha vida a qual me encontro hoje, foi necessário vencer muitas barreiras, pois, quando iniciei meus estudos na infância com dez anos, tudo era muito difícil e por eu ser de família humilde morando em vilarejo a escola  distante de minha residência, tudo se bloqueava  mas, sempre tive o apoio dos meus pais para ir ao colégio e a contribuição de alguns irmãos mais velhos. Estudei apenas a 1ª e 2ª séries nesse povoado, pois, só na  cidade tinha as outras séries , fui morar na casa de parente para assim, ter o direito de concluir pelo menos o ensino fundamental menor (1º a 4º) completo.

Quando passei para o ensino fundamental maior (5ª a 8ª) não tive mais a chance de continuar os meus estudos, meus pais continuavam no mesmo local de antes.

Aos dezoito anos, fiz uma mudança radical em minha vida, mudei de estado, acabei me relacionando com uma pessoa o qual vivo hoje, há 32 anos.

Acredito ser uma educadora por opção e sou convicta de que, nós educadores, temos uma missão, que considero um apostolado: somos além de formadores de opiniões, somos formadores de caráter.

Continuando a minha trajetória esse é um fator que marcou muito o meu percurso, quando em setembro de 1989, fui convidada pela primeira vez para uma sala de aula regular, não rejeitei, estava ali o meu grande sonho sendo realizado, apenas um bimestre mas consegui finalizar com êxito. No ano seguinte fui contratada novamente e a notícia me comoveu os pais já estavam preferindo a professora Eva, fiquei radiante diante as articulações.

Em 1994, tive o maior presente profissional que um funcionário público  pode conquistar que, para surpresa de muitos e para minha glória, fui a professora que tinha menos estudo na escola em que trabalhava mas consegui alcançar a média para ser aprovada no primeiro concurso público oferecido nesse município (há época Parauapebas).

Essa conquista não foi só uma glória, considero um grande troféu, aquela notícia correu depressa, pois somente uma professora tinha passado e a que tinha apenas o ensino fundamental menor. O desejo de estudar fluiu dentro de mim com mais vigor e cada dia minha prática em sala de estava ficando mais interessante.  Contudo, não tive a oportunidade de fazer um curso superior presencial, mesmo assim me sinto uma profissional realizada.

E, quando deparamos diante de uma turma de alunos, inconscientemente, repetimos algumas atitudes de professores que trabalharam conosco, passando assim a manifestar reflexos da nossa cultura de ensinar e da nossa cultura de aprender. Visto que no momento em que precisamos optar por uma determinada abordagem de ensino, revisitamos as experiências que tivemos até então. Na época não podia colocar em prática o que se aprende durante uma formação, porque não contava com nenhuma, só mesmo, a prática do que havia aprendido ao longo de minha vivência no meu vilarejo sem muita escolarização.

Iniciei minha carreira profissional com apenas o Ensino Fundamental menor, como professora das séries iniciais, pois conclui o Ensino Fundamental maior no Projeto Gavião I (1996).  Em seguida, o antigo segundo grau em Magistério no Projeto Gavião II (Mantido pela Secretaria Municipal Educação deste município) E, continuei a jornada, já fiz três graduações, somada ao magistério, três pós e vários  cursos na área que sou atuante. Também no percurso dessa graduação de Língua Portuguesa participei de diversos cursos, palestras e eventos de aperfeiçoamento, entre eles o de Escolas literárias, Curso de Atualização e Capacitação para Secretárias, Técnicas de Administração, Ciclos de Desenvolvimento Humano, Sustentabilidade Amazônica, também algumas oficinas de atualização de professores por intermédio de professores da graduação. Consegui complementação de disciplinas e conclui graduação em Pedagogia em 2017, as pós Graduação que realizei foram: Estudos Linguísticos e Análises Literárias e Gestão Escolar.

A minha atuação como professora das séries iniciais foi de 1989 até 1996, e de 1997 a 2000 ministrei aula para as séries finais do Ensino Fundamental, em 2001 fui nomeada gestora da Escola Raimundo de  Oliveira em Canaã dos Carajás onde, permaneci no cargo até 2005. Em 2006 retornei ao município de Parauapebas exerci a função de Auxiliar Administrativo até 2007 e no ano de 2008 fui nomeada a secretaria escolar da Escola Antônio Matos Filho, em 2012 assumi o cargo de professora de Artes na Escola Chico Mendes e Escola Olga da Silva, no inicio do ano letivo de 2013 fui nomeada a coordenadora Pedagógica II, permanecendo até 2015.

Em 2016, atuei em Canaã dos Carajás com a disciplina de Língua Portuguesa e Redação. Logo, fui aprovada no processo seletivo do Estado para o Projeto Mundiar, sendo a primeira colocada no município e segunda colocada para o Município de Parauapebas do qual escolhi para atuar e permaneço até a data atual. Em paralelo a isto, trabalho em regime efetivo como Auxiliar Administrativo na Escola Dorothy Stang no município.

Após 29 anos atuando na Educação da região Carajás, assumo o compromisso de assinar esta coluna no Portal Canaã, trazendo junto, minha experiência para tratar de assuntos relevantes.

COMENTAR COM FACEBOOK

MENU

Back

Novo Programa em Canaã




NOSSA FANPAGE