O conceito de Cultura e sua representação no Estado do Pará

No dia-a-dia ouvimos frequentemente o termo “cultura” ou “cultural”, se referindo a uma dança folclórica, um hábito inusitado de um povo, uma vestimenta diferente… A dança do Carimbó, os rituais indígenas e seus trajes típicos, são exemplos de manifestações culturais, mas o conceito de cultura é bem mais amplo, pois envolve tudo o que um povo cria e reproduz. Envolve comportamento, pensamento, hábitos, costumes, atitudes. A cultura, inclusive, está presente em outras áreas comuns da vida, como na educação, no esporte, na arte, na linguagem, na saúde e em diversas outras vertentes, onde o que muda é a maneira como é representada em cada contexto.

Por exemplo, em várias regiões brasileiras o açaí é consumido como um tipo de sobremesa, com frutas, doces, coberturas variadas, e por aí vai. Já no Norte, sobretudo no Pará, ele é tradicionalmente consumido com farinha de mandioca ou de tapioca, com ou sem açúcar, grosso ou fino, a diferença é que geralmente acompanha alguma refeição ou é a própria refeição. Inclusive, dentro do próprio estado do Pará, o açaí é consumido de maneiras diferentes. Isso é cultural, isso é cultura!

Açaí em outras regiões brasileiras.
Açaí no Pará

Se aprofundando um pouco mais no assunto, temos a definição do antropólogo britânico Edward Tylor, considerado o pai do conceito moderno de cultura. Ele afirma que a cultura pode ser compreendida como tudo o que é produzido pela humanidade, sejam coisas concretas ou imateriais, desde artefatos e objetos até ideais e crenças. Partindo desta definição, podemos entender que cultura é todo conjunto de conhecimentos e habilidades humanas, como: manifestações artísticas, sociais, linguísticas e comportamentais, empregadas socialmente, que podem ser adquiridos através de ensinamentos passados de geração para geração. Essa definição foi criada no século XIX e é considerada muito atual nos dias de hoje. Sendo assim, os antropólogos buscam analisa-la para compreender melhor o comportamento social (SILVA e SILVA, 2006).

Sabemos que existem diversos tipos de cultura ao redor do mundo, inclusive na própria realidade em que estamos inseridos. Os hábitos de uma pessoa são diferentes dos hábitos de outra e assim por diante, pois cada indivíduo tem um modo particular de ser e agir, mesmo quando faz parte de um grupo. Somos resultado de vários processos que surgiram no decorrer da vida, sendo influenciados pela realidade cultural na qual estivemos e estamos inseridos. Dessa maneira, quando temos contato com uma cultura diferente da nossa, expressada por uma pessoa, grupo ou contexto, o que deve ser sempre colocado, acima de tudo, é o respeito àquilo que é diferente e que, portanto, não cabe nenhum julgamento de valor.

Fonte: Gustavo Paixão

Referindo-se à cultura nacional, vivenciamos no Brasil uma diversidade cultural muito grande, cuja formação se dá desde o início da colonização no começo do XVI. Os principais personagens da cultura brasileira são os índios, os negros e os colonizadores europeus. Posteriormente, os imigrantes italianos, japoneses, alemães, poloneses, árabes, entre outros, contribuíram para a variação cultural brasileira. Essa diversidade acabou refletindo nos diferentes costumes do país: vestimenta, culinária, manifestações religiosas, tradições, entre outros. Vivemos em um país que possui um extenso território, e com isso, apresenta diferenças climáticas, econômicas, sociais e culturais entre as regiões.

Carro alegórico da Portela no carnaval do Rio de Janeiro em 2017. Fonte: G1

Com o passar dos anos o Brasil começou o desenvolvimento de uma identidade nacional cultural, a qual teve grande importância no início do século XX. Esta busca por uma identidade surgiu através de movimentos artísticos e intelectuais, que passaram a negar a representação da cultura europeia imposta pelos colonizadores e partiram em busca da construção de algo tipicamente brasileiro. Neste contexto, a região Sudeste, que no passado era vista como o centro da vida política e social do país, mais precisamente Rio de Janeiro e São Paulo, costumava impor seus costumes regionais como modelos do que deveria ser visto no cenário nacional. Já os costumes da região Norte eram vistos com estranhamento, sendo então discriminados pelas demais regiões (CONCEIÇÃO, 2012).

Hoje, a região norte, mais precisamente o estado do Pará vem sendo recentemente conhecido como um dos polos culturais mais interessantes do país. Este reconhecimento advém de uma junção de fatores que vão desde a formação histórica do estado até movimentos culturais que ainda surgem nos dias de hoje. Essa miscigenação cultural paraense tem despertado a atenção de fora, dando espaço para diversos tipos de manifestações artísticas e oferecendo oportunidades para que obras culturais possam surgir e serem reconhecidas. Dessa maneira, estes movimentos culturais conquistam públicos diversos, enaltecendo a visibilidade, tanto do que já vinha sendo feito há tempos quanto do que está sendo realizado na contemporaneidade.

No Pará as manifestações culturais mais marcantes que representam a cultura local são: o Círio de Nazaré, considerado um dos maiores eventos religiosos do mundo;

Fonte: Brazil Press

A dança do Carimbó, ritmo de origem indígena, com traços africanos, classificado recentemente como um dos patrimônios culturais imateriais brasileiros;

Fonte: Everaldo Nascimento/ Ag Pará / G1 PA

A gastronomia, como exemplo o pato no tucupi, preparado com ingredientes típicos regionais, sendo uma das iguarias mais marcantes do Pará.

Fonte: Agite Manaus

A região sul e sudeste do estado do Pará possui um padrão sociocultural um pouco diferente do restante do estado, isto justifica o motivo pelo qual, em meados da década de 70, foram implantadas na região grandes empresas advindas da exploração mineral, que gerou um intenso fluxo migratório representado por pessoas de diferentes regiões do país, atraídas pelo progresso (BOTELHO, 2016). Neste contexto, nasce os movimentos artístico-culturais em meios à diversidade social.

A forte influencia nordestina, mineira, goiana, entre outras, trazem para essa região do sul e sudeste do Pará uma pluralidade cultural que se contrapõem às demais regiões do estado, como exemplo temos a culinária local, que se distingue um pouco da culinária paraense, mas não tão distinta, pois ainda carrega consigo uma forte influencia indígena que é bastante presente na região. Dentre algumas das principais iguarias desta culinária está a panelada, a carne seca, o cozido de peixe, a galinhada e o cuscuz. Com relação a gêneros musicais, é bem marcante o sertanejo, o forró e o reggae, distanciando-se um pouco do tecnobrega que é estilo musical predominante na região norte e nordeste do estado.

Os festejos juninos da região também diferem das demais, onde se observa a forte influencia nordestina, como os grupos de quadrilhas roceiras e alegóricas, que realizam um espetáculo de cores, ritmos e danças, valorizando o período junino. Nesta época do ano a região encontra-se contagiada pela alegria de são João, onde em cada parte é sempre possível encontrar barracas com iguarias típicas à venda.

Fonte: Grupo Junino Explode Coração – Marabá-PA

A manutenção de tudo está no fomento a todo e qualquer tipo de manifestação cultural existente na região. Sabemos que ainda muito precisa ser feito, os governantes precisam desenvolver políticas públicas que impulsionem a cultura em nosso estado, como a criação de projetos, entre eles os festivais de música, dança, teatro, artes plásticas, artesanatos e outros, dando espaço para artistas locais disseminarem as várias expressões artísticas paraenses. Só assim a sociedade poderá vivenciar uma transformação sociocultural, e a partir daí as pessoas poderão apreciar cada vez mais a nossa rica e bela cultura regional.

 

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