“Eu errei por ter vendido as coisas, mas o erro dele foi bem pior que o meu”, diz mulher que vendeu bens do preso em Canaã dos Carajás

Foto: Júnior Gomes

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Após repercussão da reportagem divulgada no último dia 9/09 aqui no Portal Canaã, Lucivânia Candido da Mota entrou em contado com nossa redação para dar a sua versão da história.

Por mais de uma década a Lucivância foi casada com o Antônio Carlos Costa Silva de 40 anos, com quem teve três filhos. Segundo ela, foi um relacionamento conturbado, marcado por agressões físicas e verbais. Até que no início de 2019, ela resolveu dar um basta e denunciá-lo. “Tem a versão dele e tem a minha. Ele não foi preso injustamente nem por mentira contada por mim como ele falou. Eu fui no fórum com o meu corpo todo marcado de mordidas, não foi nem de tapas, nem de socos, foi de mordidas que ele deu em todo o meu corpo. Ele me batia e eu ficava com marcas no rosto que, por vergonha, eu era obrigada a dizer que tinha caído em casa. Para a nossa família ele era uma boa pessoa, porque nunca deixou faltar nada dentro de casa, mas ele é muito bruto, ignorante e agressivo. Eu passei vários anos apanhando na mão dele e eu não quero mais isso para mim. Quando ele chegava bêbado em casa ele me jogava panelas, me jogava café quente. Ele foi preso por invadir a minha casa, eu tinha saído da casa onde morava com ele e fui morar de aluguel e ele usou um pé de cabra para invadir minha casa e veio correndo atrás de mim, foi por isso que ele foi preso”, revelou.

A mulher confessou ter vendido os bens do casal que hoje está separado, mas disse que a atitude foi tomada com o objetivo de garantir a segurança dela e dos filhos, pois, mesmo preso, ela vinha recebendo ameaças por parte do Antônio que usava um aparelho celular para entrar em contato com a ex mulher. “Eu não vendi roupa e nem nada pessoal dele, eu vendi a casa por questão de desespero, porque ele ficava me ligando de dentro da cadeia e dizia que quando saísse de lá a gente ia se acertar. Eu não vendi as coisas para luxar ou algo do tipo, eu vendi por desespero porque eu queria ir embora de Canaã, porque ele vivia me ameaçando”.

Atualmente, Lucivância vive em outra cidade e disse que essa não foi a primeira vez que o ex companheiro foi parar atrás das grades. “Em 2008 ele ficou cerca de 20 dias preso também por agressão, dessa vez ele tinha me batido com o cabo de uma cavadeira que até hoje eu tenho as marcas no meu corpo. Ele me batia tanto que eu cheguei a ter hemorragia. Em 2013 ele foi preso de novo lá no município de Sapucaia e pelo mesmo crime. Hoje meus filhos e eu estamos vivendo em outra cidade e estamos bem, mas ele já descobriu onde eu estou morando, e todo os dias ele liga me ameaçando. Eu estou cansada, eu temo pela minha vida porque meus filhos precisam de mim e se acontecer algo comigo meus filhos vão ficar sozinhos no mundo”, desabafou.

A mulher seguiu falando que reconhece que errou ao vender os bens da família sem a devida autorização do ex marido. “O meu erro foi ter vendido a casa e as outras sem a autorização dele, mas eu fiz isso por medo. Fiquei com medo dele sair da cadeia e vir atrás de mim. Se ele quer os direitos dele, ele pode ir na justiça e não ficar me ameaçando, falando que vão me matar se eu for presa. Todos os dias ele me liga umas trinta vezes por dia para me xingar de palavras horríveis, piores até do que ele já falava quando a gente era casado. Com os filhos eu sei que ele não tem coragem de fazer nada, mas comigo ele tem. Mesmo preso ele ficava me ligando e me chamando para a gente voltar a morar junto quando ele saísse, mas eu cansei de ser maltratada, humilhada. Se eu continuar com ele é estarei pedindo para sofrer novamente e eu não quero mais isso para mim, eu mereço ser feliz, eu errei por ter vendido as coisas mas o erro dele foi bem pior que o meu”, finalizou.

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