Vale mira 1 milhão de toneladas por ano de cobre e isso pode ser positivo para Canaã dos Carajás e Marabá

Vista aérea da unidade de mineração Sossego, em Canaã dos Carajás. Foto: Ricardo Teles
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A Vale colocou o cobre no centro de sua estratégia global. A unidade de metais básicos da companhia trabalha com a ambição de alcançar, no futuro, 1 milhão de toneladas de cobre por ano, superando com folga a meta oficial de 700 mil toneladas até 2035. Se esse plano sair do papel, os reflexos podem ser diretos para o sudeste do Pará, especialmente Canaã dos Carajás, com o projeto Bacaba, e Marabá, onde está o Complexo de Salobo, uma das principais operações de cobre da empresa.

Em um cenário global de transição energética, o cobre tornou-se um ativo estratégico. Ele é essencial para carros elétricos, linhas de transmissão, energias renováveis e infraestrutura digital. Não por acaso, gigantes do setor como Anglo American e Rio Tinto aceleram aquisições e projetos para ampliar a oferta. A Vale, por sua vez, aposta em uma rota diferente: expandir ativos que já possui, especialmente no Brasil.

Segundo o CEO da Vale Base Metals, Shaun Usmar, há um potencial ainda não explorado nesses projetos. Em entrevista durante um encontro da indústria de mineração em Riad, ele afirmou que os ativos “vêm sendo discutidos há décadas”, mas que agora começam, de fato, a ser destravados. A avaliação interna é de que existe um pipeline orgânico capaz de levar a empresa além da meta de 2035.

Hoje, apenas quatro mineradoras no mundo superam a marca de 1 milhão de toneladas anuais de cobre: Freeport-McMoRan, BHP, Codelco e Zijin Mining. Entrar nesse grupo colocaria a Vale em outro patamar estratégico, com impacto direto em regiões produtoras.

Para Canaã dos Carajás e Marabá, a equação é clara: mais produção tende a significar mais investimentos, ampliação de operações, geração de empregos diretos e indiretos e aumento de arrecadação, especialmente via CFEM. Projetos como Bacaba e Salobo ganham relevância não apenas como minas, mas como ativos-chave na estratégia global da companhia.

O contexto de mercado reforça esse movimento. Os preços do cobre vêm batendo recordes desde o fim do ano passado, pressionados pela expectativa de que a demanda cresça mais rápido que a oferta. A eletrificação da economia global tornou o metal um dos mais disputados do planeta.

O recado é direto: se o cobre é o novo “ouro” da transição energética, o sudeste do Pará pode estar sentado sobre uma das peças mais valiosas desse tabuleiro global.

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