O relatório de produção e vendas divulgado pela Vale na noite desta terça-feira, 21 de julho, traz um dado que merece atenção. Em meio à queda da produção no Sistema Norte, o S11D, em Canaã dos Carajás, apresentou um desempenho recorde para um segundo trimestre.
Foram 23,4 milhões de toneladas produzidas entre abril e junho, um crescimento de 2,5 milhões de toneladas, ou cerca de 12%, em relação ao mesmo período de 2025.
É o melhor desempenho do S11D em um segundo trimestre, segundo a companhia. E ajuda a explicar por que o complexo ganhou peso crescente dentro da estratégia operacional da Vale em Carajás.
No conjunto do Sistema Norte, porém, a produção recuou. Foram 39,6 milhões de toneladas no trimestre, 1,7 milhão de toneladas a menos na comparação anual.
A principal razão foi a menor disponibilidade de run-of-mine em Serra Norte, um movimento que já estava previsto pela companhia.
O ponto central, portanto, está na diferença de desempenho entre os ativos. Enquanto Serra Norte contribuiu para a retração do sistema, o S11D acelerou e conseguiu amortecer parte desse impacto.
Há ainda uma questão relevante para os próximos anos. Os projetos Serra Sul +20 e Britador de Compactos seguem avançando e têm início de operação previsto para o segundo semestre de 2026.
A partir de 2027, esses projetos deverão ampliar a flexibilidade operacional e contribuir para o desempenho da produção.
O que emerge dos números divulgados pela Vale é uma mudança gradual na dinâmica operacional do Sistema Norte. O S11D, que já ocupa posição estratégica na produção de minério de ferro, demonstra capacidade de elevar seu desempenho justamente em um momento em que outros pontos do sistema enfrentam restrições esperadas.
O recorde do segundo trimestre, portanto, não deve ser analisado isoladamente. Ele se insere em uma estratégia mais ampla de expansão da capacidade e de ganho de flexibilidade operacional.
E, nesse movimento, Canaã dos Carajás e o S11D continuam aumentando seu peso dentro da equação da Vale em Carajás.





