Semana passada uma vereadora deu entrada em uma indicação na Câmara Municipal de Parauapebas sugerindo a mudança do nome da praça mais antiga da cidade. Propunha trocar o nome atual de Mahatma Gandhi para Praça São Sebastião. E deu pano pra mangas. Justifica ela que como ao fundo da praça se ergue a igreja que leva o nome deste santo, a praça também deveria ter nome igual, mesmo que o povo a conheça como Praça Mahatma Gandhi desde que foi construída.
Um engano aqui
Surfando a onda o pároco da igreja, jovem que chegou à cidade há poucos anos, gravou e publicou um vídeo no qual pede apoio aos católicos para a mudança de nome do logradouro público e assim homenagear o santo. E alegando que “como a igreja cedera gentilmente a área para a prefeitura construir a praça nada seria mais justo que a atual reivindicação da vereadora”. Reclamou até que as autoridades não haviam agradecido a suposta doação.
Estranho
Tudo aí é estranho. Primeiro por que a vereadora nem é frequentadora da igreja. Sequer se sabe na cidade qual a sua religião. Segundo por que jamais se viu uma igreja no Brasil ou no mundo fazendo doação de terras. Muito pelo contrário. As igrejas sempre pedem e angariam terrenos. Só em Parauapebas então se estaria inaugurando um movimento em contrário aos costumes históricos e seculares das igrejas?
A história da área
Criada a celeuma, é preciso então recorrer aos princípios. Aos documentos, que são os fidedignos registros da verdade e da História. E a história da área começa na década de 1970, quando o Sr. Lair Guerra Toledo adquiriu do Governo Federal a gleba de floresta amazônica aqui em foco para formar uma fazenda. E onde, até o final deste período havia desmatado um espaço de meio alqueire e construído dois barracos na beira do rio.
O Núcleo: Fazendeiro – Vale – Prefeitura
No final dos anos 70 a Vale adquiriu do fazendeiro a área de mata, elaborou sobre ela um projeto de uma futura cidade (que chamou de Núcleo Urbano de Parauapebas), desmatou, urbanizou, construiu prefeitura, hospital, escola, estações de tratamento de água e de esgotos, rede de energia elétrica, delegacia de Polícia e cadeia, e etc, para que ali se instalassem quantos pretendessem se instalar junto ao Projeto Carajás. Eliezer Batista foi o idealizador do projeto e acompanhou de perto sua execução.
A Base documental
Com as obras em fase final o Governo Federal nomeou o prefeito de Marabá – Área de Segurança Nacional – e o Administrador de Parauapebas, Francisco Brito. Isto no início de 1983. Ao Administrador foi entregue o projeto do Núcleo, ao mesmo tempo em que se fazia sua doação ao Município. Tudo aprovado pela Câmara de Marabá. E este projeto foi imediatamente registrado pelo Administrador no Cartório de Imóveis.
A doação dos lotes
Para quem quiser averiguar a veracidade destas informações basta recorrer à fonte, ao Cartório, e verá que a área da praça foi registrada já nesse primeiro momento, junto com todo o Núcleo, como praça pública, e mesmo os lotes que fazem sua delimitação ao fundo ainda não estavam destinados à igreja Católica ou a quem quer que fosse. Estavam todos disponíveis para doação a quem o Administrador entendesse que fosse mais razoável.
O pedido da igreja
E por entender ele que o costume é o de se construírem igrejas junto a praças foi que ele doou aqueles lotes (e não a área da praça, até por que já registrada como tal, ele não poderia doá-la) para a igreja católica que foi quem primeiro os pleiteou e ele entendeu o pleito como muito razoável. O presidente da Comissão da igreja Católica era o saudoso Zé da Papelaria. D. Alano Pena era o Bispo da Diocese.
Uma curiosidade
Em agradecimento a esta doação a Comissão da igreja decidiu dar o nome a ela de igreja São Francisco, o que depois se alterou em virtude de haver a comissão ganhado de presente uma imagem de S. Sebastião que um fazendeiro recém chegado trouxe com ele na bagagem de Goiás. É aquela imagem que está ali na igreja até hoje. Mas isto é outra história.
A construção da praça
Em 1988, com Parauapebas já emancipada, o prefeito eleito, Faisal Salmen, contratou a construção da Praça, para a qual sugeriu o nome que ela tem até hoje, e a Câmara o aprovou. Até pelo espírito ecumênico e por ser Gandhi uma das grandes figuras da Humanidade. Francisco Brito era vereador nesta época, e Presidente da Comissão de Terras no Legislativo.
Basta conferir. É simples
Este é o relato dos fatos incontestáveis por que baseados na real História e nos documentos que podem ser buscados em suas origens. E concluímos alertando o padre, pessoa muito benquista na comunidade e amigo de nossa família, para que não creia em informações sem conferi-las antes.
São Tomé
Este é o relato dos fatos incontestáveis por que baseados na real História e nos documentos que podem ser buscados em suas origens. E concluímos alertando o padre, pessoa muito benquista na comunidade e amigo de nossa família, para que não creia em informações sem conferi-las antes.
Por. Chico Brito







