Era pequeno demais para estar sozinho. As patinhas finas tropeçavam no asfalto quente, os olhos ainda confusos, tentando entender onde estava. O latido não saía talvez pelo medo, talvez pela fome. Mais um filhote largado à própria sorte nas ruas de Parauapebas.
O abandono de animais já não causa mais espanto. Tornou-se cena cotidiana, um problema invisível aos que passam apressados, mas gritante para quem tem um pouco de compaixão. Filhotes são despejados em terrenos baldios, na beira de estradas, em caixas de papelão ao lado de lixeiras. Como se fossem descartáveis. Como se não sentissem frio, fome ou dor.
O mais cruel é que tudo isso poderia ser evitado. Mas, ao invés de castrar, cuidar ou buscar um novo lar, muitos escolhem o caminho mais fácil: abandonar. Um ato de covardia travestido de indiferença.
O que será desse filhote? Se tiver sorte, alguém o resgatará. Se não, o destino será o mesmo de tantos outros: atropelado, doente, esquecido. A cidade cresce, mas a empatia parece diminuir.
Mas até quando? Se câmeras de segurança captam tantos momentos do dia a dia, por que não podem ser usadas para identificar os responsáveis por essa crueldade? Se há leis que punem o abandono, por que elas não são aplicadas com o devido rigor?
Talvez seja hora de a Câmara Municipal agir. Criar um projeto de lei que endureça as penalidades ou garantir que as regras já existentes sejam cumpridas com rigor. O abandono de animais não pode mais ser um crime sem consequência.
E enquanto mais um filhote se encolhe na sarjeta, esperando por um dono que nunca volta, fica a pergunta: até quando vamos ignorar?







