Opinião | Reflitam, as manifestações não irão acabar tão cedo

Governo Bolsonaro foi marcado por manifestações e sobreviveu até agora. Os que às faziam, agora condenam as manifestações vinda das ruas.

Desde a proclamação do resultado final das eleições presidenciais pelo TSE, no dia 30 de outubro, o lado derrotado, o de Jair Bolsonaro, tomou as ruas em manifestaçõss contrária a decisão. Assim como em 2018, onde o lado derrotado, de Haddad, também se manifestaram contrários ao resultado obtido nas urnas.

Mesmo saindo vencedor em 2018, Jair Bolsonaro, já levantava o discurso de fraude eleitoral. Para ele, as eleições deveriam ser finalizadas no primeiro turno, em seu favor, mas nada foi provado. Daí, já se alimentava a narrativa de fraude sobre a maioria dos eleitores que o elegeram.

Na época, o PT tentou até o último momento impugnar a campanha de Bolsonaro, mesmo após a diplomação. O grupo derrotado de 55% a 44%, pedia ao TSE para investigar suposto abuso da campanha vencedora. Agora, o grupo derrotado, tenta fazer o mesmo.

Enquanto isso, a Esquerda, que foi derrotada pelo Bolsonarismo, ainda estava na rua, pedindo fora Bolsonaro, após apenas cinco meses de mandato. As manifestações ainda tinham o calor da prisão de Lula, pela Lava Jato.

As manifestações tinha total cobertura da imprensa – que também agonizavam sob o austero orçamento de Bolsonaro, principalmente as que já faziam oposição a sua candidatura, mesmo antes das eleições. A briga mais ferrenha que o presidente comprou foi com a Folha de São Paulo e grupo Globo, do qual não às poupava críticas, afirmando que teria “secado a mamata” dos veículos. Veículos, que passaram a fazer oposição categórica ao governo, até o último momento.

A imprensa tradicional, inúmeras vezes foi criticada por fazer alusão às manifestações contra o governo de democráticas e pró-governo de anti-democráticas, criando narrativas de que só a esquerda estava defendendo a democracia, mesmo depredando patrimônios, enfrentando a polícia, fechando estradas e até mesmo fazendo alusão nítida ao Comunismo. O Fato é: toda manifestação é democrática e só é possível em uma democracia.

Bolsonaro seguia confiante, com o discurso anti-corrupção e de combate a violência, sendo possível emplacar sua reforma polêmica da previdência e administrativa, que levou milhões de pessoas para as ruas; a lei de liberdade econômica, entre outras. O governo Bolsonaro foi marcado por manifestações contrárias às suas medidas, assim também, como manifestações pró-governo, que também levou milhões de pessoas às ruas.

Logo surgiram denúncias, como as rachadinhas praticadas quando era parlamentar, agiotagem envolvendo o famoso Fabricio Queiroz, e sua vida pregressa no exército e envolvimento com as milícias, que se acirrou com a morte da Vereador Marielle Franco. Até o momento, nada sobre seu governo, que seguia intocável, porém as polêmicas tomaram conta dos noticiários e das ruas, com mais manifestações em todo o Brasil.

A longa contextualização serve para refletirmos que um cenário menos polarizado foi marcado por manifestações constantes da esquerda – ou oposição – contra um governo eleito com 55,1% dos votos válidos. As manifestações eram legítimas, apesar de carregar um teor de negação do resultado das eleições; de pedido constante de impeachment e confronto direto com as autoridades nas ruas. Tudo com o sentimento de não representatividade.

Hoje, o cenário segue mais polarizado e acirrado, sendo a disputa mais difícil da história. Lula teve uma vitória sem grande margem de votos e pouca representativa política eleita, obtendo apenas 50,9% dos votos válidos. O lado perdedor, ficou com o grande potencial de mobilização espontânea, o que dificulta a pacificação governamental, de um grupo não sistêmico e volátil.

A vitória eleva o ego, ainda mais quando impulsionado pelos meios de influência. Porém, a coerência e compreensão dos momentos vividos e, que, ainda virão pela frente, nos cobram a sabedoria de entender que a política é cíclica: a ação dos perdedores são previsíveis, ainda mais quando já passamos por isso. Logo, a vitória política tem prazo de validade e, todo o ciclo se reinicia. O não representado sempre vai protestar.

Costumo dizer que os políticos passam e, nós ficamos. Hoje, vivemos o momento político mais dividido da história. E cá entre nós, um processo não imparcial pautados em narrativas de verdades criadas pelo aparelhamento de membros do judiciário, os institutos de pesquisas e a grande imprensa, que comemorou e comemora o lado “vitorioso”.

Esse assunto ficará para a segunda parte desse artigo. Até breve. 🤫😉

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