Dias atrás alguém detectou no Portal da Transparência da Prefeitura de Parauapebas que dois indivíduos haviam levado para seus bolsos mais de meio milhão de reais através de uma firma registrada no final de janeiro de 2017, e que assim que foi registrada já passou a receber uma quantia de r$50 mil todo mês. Ao final do ano a empresa já tinha se apossado de meio milhão de reais de verbas públicas. Ficava claro que se tratava de pagamento de contas por “serviços eleitorais” prestados na campanha do prefeito eleito.
RADIO FANTASMA
Aconteceu assim: o prefeito eleito nomeou um dos parceiros para chefiar a ASCOM e este passou a gerenciar uma verba destinada em orçamento à comunicação oficial do município. E na velocidade do vento, sua primeira ação foi fazer um pagamento de cinquenta mil reais para a firma recém-registrada por eles, a título de serviços prestados por sua até aquela data inexistente rádio web. E por este motivo, por esta coisa escandalosa, os dois “artistas” foram denunciados por diversos grupos nas redes sociais. Os dois sócios e sua radio fantasma.
PAGAMENTO DE CAMPANHA
Desmascarados, pegos com as mãos nos cofres da municipalidade, já tendo ao final do ano recebido desta forma mais de meio milhão de reais, um deles expediu uma nota macarrônica do comprimento de uma lauda, primeiro elogiando-se, depois cantando as glórias de seu apoio desesperado e feroz à campanha do prefeito eleito, – e por esta razão, justificava ele na nota – merecedores, ele e seu comparsa – do que considerava claramente um pagamento ao qual faziam jus pela sua atuação na campanha eleitoral.
GANÂNCIA BURRA
Com a publicação de sua nota o signatário coloca o mandato de seu chefe, o prefeito, em alto risco. Por que declara ter prestado seus serviços na campanha. E quando se verifica que nenhum pagamento foi feito a ele através do comitê, fica evidente que a nomeação de seu parceiro para a função pública controlando um alto orçamento representa a entrega de meio operacional para o pagamento por aqueles seus “serviços”. Serviços que de fato se resumiam em agredir os adversários de seu candidato através do microfone de uma rádio onde a dupla estava empregada.
O DEBOCHE
Mas o pior de tudo foi o que o titular da firma confessou, em seu texto, de modo petulante, arrogante. Lavrou no seu discurso, como a glória das glórias, incensando sua mestria e conhecimento em política, que aqueles pagamentos lhes eram devidos por merecimento. E debochando dos que o denunciaram, ele escreveu, ipsis literis que “política não é para amadores!” Deixando claro seu entendimento que fazer política de verdade é meter as mãos no dinheiro do povo. Que isto é que é ser politico.
IGNORÂNCIA E MÁ-FÉ
Ignorância e má-fé juntas, mostrando como pensam os retrógrados, os que saíram daqueles lugares pequenos de interior, de corruptelas. Imaginam eles que fazer política é elegerem-se ou elegerem os seus e com isto passar a ter direito absoluto sobre o que não lhes pertence por que pertence ao povo. A arrogância que demonstram vem do pensamento de que quem se elege adquire autoridade e junto com ela o direito de dar aos recursos públicos a destinação que bem desejarem, enriquecendo-se em primeiro lugar.
ACREDITAMOS
Este lamentável equívoco entretanto foi o que lançou na cadeia dois anos atrás em Parauapebas ou meteu na fogueira de processos judiciais mais de um terço dos vereadores da cidade. E os tornou, é claro, inelegíveis. E é isto, esta atuação do Ministério Público e da Justiça na Comarca que nos deixa acreditar que as coisas aqui estão mudando. E mudando para melhor, para mais justas para com o povo.
AS TAREFAS URGENTES
São essas medidas da Justiça que fazem entender que política não é uma atividade para quem ali está com o propósito de se enriquecer, mas para quem se habilita a bem, e honestamente, gerir os recursos públicos. Em Parauapebas hoje mais do que nunca, temos duas frentes a ser atacadas pelos políticos que não forem amadores: construir a infra estrutura do município e ajudar a minorar o sofrimento do povo. E essas frentes não são absolutamente excludentes.




