Cada vez mais minério, a VALE que vale

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on telegram

Coluna do Branco

No último dia 22, a mineradora Vale divulgou o seu terceiro balanço de 2015, onde apresentou prejuízo (R$ 6,6 bilhões) em relação ao trimestre anterior. Quando a comparação é em relação ao ano passado, a diferença negativa chega a R$ 3,3 bilhões. Na dança dos números do balanço divulgado, pode-se creditar as diferenças negativas ao câmbio que resulta em uma grande assimetria contábil.

O grande responsável (conforme consta como justificativa no balanço apresentado pela mineradora) é a alta do dólar, a consequente desvalorização do real e o baixo valor da tonelada do minério de ferro, carro-chefe da multinacional. O alerta foi dado, a luz vermelha foi acesa quando a cotação do minério de ferro chegou a US$ 50 a tonelada no trimestre passado. Pensava-se que o valor negociado no mercado internacional teria chegado ao seu piso, o limite de baixo valor, não haveria espaço para mais quedas. No entanto, no atual trimestre, o valor da tonelada do ferro chegou a ser negociado por US$ 46,5, quase um quarto do valor registrado em 2011 (US$ 112), no mais alto pico de comercialização do referido mineral.

Como esperado para enfrentar as adversidades do atual cenário econômico internacional, a Vale bateu novamente mais um recorde de produção. O volume produzido foi impressionantemente de 88,2 milhões de toneladas de minério de ferro, conseguindo o melhor resultado de sua história quando a medição começou a ser feita a cada três meses.

Além do aumento da produção com batimento de recordes sucessivos, a referida mineradora reduziu significantemente as despesas de operação e custeio. Na área operacional, a Vale vem tentando reduzir ao máximo o custo de produção de uma tonelada de minério. A mineradora busca através de avanços tecnológicos e novas formas de exploração e produção, chegar ao custo médio de 10 dólares esse custo.

No trimestre passado já foi comemorado a redução de custo de produção que ficou em 12 dólares. Toda essa projeção de redução só se sustenta e torna-se viável se o dólar ficar na casa dos R$ 3,5. Atualmente com a alta da moeda americana, a Vale deve esquecer a pretensão de redução a 10 dólares, torna-se quase impossível esse objetivo.

Na questão de custeio, a mineradora vem gradativamente reduzindo benefícios, enxugando a folha de pagamentos e diminuindo gastos administrativos. Tudo para amenizar a diminuição das taxas de lucros que se tinha quando o preço do minério de ferro passava dos 100 dólares. A tendência é que a Vale continue cortando, buscando fazer caixa para manter os projetos de investimentos, especialmente o S11D em Canaã dos Carajás.

Enquanto isso as reservas minerais vão sendo exploradas em uma velocidade cada vez maior, quebrando todo e qualquer projeção em relação aos seus tempos de duração. Enquanto a cotação do minério de ferro continuar caindo ou bem abaixo do preço mínimo aceitável (algo em torno de 75 dólares) a Vale continuará com a sua política de recordes de produção. Essa é a sina “desenvolvimentista” na Amazônia, sendo o grande almoxarifado do mundo.

 12006182_1468572010139284_2965935745697830044_nProf. Henrique BRANCO – Licenciado em geografia com pós-graduação a nível de especialização em Geografia da Amazônia – Sociedade e gestão de recursos naturais. Professor que atua nas redes de ensino público e particular de Parauapebas. Assina diariamente o “Blog do Branco”www.henriquembranco.blogspot.com além de jornal e sites da referida cidade.

As opiniões expressadas em Colunas e Artigos não refletem necessariamente a opinião do Portal Canaã. Todo conteúdo é de inteira responsabilidade de seus autores.



 

 

Já sabe quem são os candidatos do seu estado pra eleições 2022?

AC AL  AM  AP  BA  BRASIL  CE  DF  ES  GO  MA  MG  MS  MT  PA  PB  PE  PI  PR  RJ  RN  RO  RR  RS  SC  SE  SP  TO 

Deixe uma resposta

Ofertas