COPs não são balas de prata, e a implementação não pode esperar a conferência do clima da ONU, disse nesta semana a diretora-executiva da COP30, Ana Toni, em Londres, no Reino Unido, em debate organizado pelo grupo de especialistas Chatham House. A diretora defendeu que o tema seja tratado com a transversalidade necessária, em diferentes níveis e fóruns, para acelerar a ação climática.
“Não devemos esperar uma COP para começar a implementação. Há muitas coisas que precisamos começar a fazer agora para que as COPs se transformem em momentos de troca e responsabilização pelo que cada um faz em seu país”, disse a diretora. “A ideia de ir de COP em COP, ano a ano, esperando que as conferências sejam balas de prata para a transição não é mais verdade.”
As cúpulas do clima devem ser momentos importantes para deliberações e prestações de contas, disse Ana Toni, mas acelerar a ação climática é fundamental para limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC em relação aos níveis pré-industriais, patamar considerado limítrofe para evitar um cataclismo. Para isso, completou a CEO, é necessário maior dinamismo no processo e garantir o envolvimento de todos os atores relevantes, como governos subnacionais, setor privado e sociedade civil.
Além da liderança dos ministros de Meio Ambiente e Clima nas COPs, destacou a secretária, ministros de Finanças, Agricultura, Transportes e Energia, entre outros, também devem ser centrais no debate. A discussão, defendeu, deve ocorrer em diferentes fóruns:
“A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Clima e as COPs são os pilares que nos mantêm no caminho, mas precisamos ir além do Acordo de Paris para ter essa conversa. Ao invés de levá-los às COPs, os debates de clima também devem chegar até eles”, afirmou a diretora.
A diretora participou do painel de abertura da reunião na Chatham House, que abordou temas relacionados ao clima e energia, junto da enviada especial para Clima do Reino Unido, Rachel Kyte. A britânica reforçou a necessidade de ação transversal:
“Clima é tudo, e tudo é clima. Agora, trata-se de como mudamos nossos sistemas de saúde? Como mudamos nossos sistemas educacionais? Como protegemos as pessoas? Como vamos entender o que irá acontecer com os fluxos migratórios?”, afirmou Kyte.
As representantes também mencionaram os sucessos do Acordo de Paris, que completa dez anos em 2025, e teve seu livro de regras finalizado na COP29, em Baku, no Azerbaijão. Antes do consenso histórico de 2015, o mundo caminhava para um aumento de quase 5ºC até o fim do século.
“Imaginem se não tivéssemos Paris. Estávamos caminhando para quase 5ºC quando assinamos o acordo. Agora, estamos caminhando em direção a 2,7ºC, 2,8ºC. Obviamente não é o suficiente, mas Paris representa uma grande diferença para o que estamos fazendo agora”, declarou Ana Toni.
“Imaginem se não tivéssemos Paris. Estávamos caminhando para quase 5ºC quando assinamos o acordo. Agora, estamos caminhando em direção a 2,7ºC, 2,8ºC. Obviamente não é o suficiente, mas Paris representa uma grande diferença para o que estamos fazendo agora”, declarou Ana Toni.
Negociações para a COP30
Em Londres, a diretora-executiva da COP30 e o embaixador do Brasil no Reino Unido, Antonio Patriota, também encontraram-se com o ministro de Segurança Energética e Net Zero britânico, Ed Miliband, com quem discutiram temas relacionados à cúpula, como financiamento para adaptação, natureza e o roteiro para chegar em 1,3 trilhão de dólares em financiamento climático até 2035. Ana Toni reuniu-se ainda com representantes do setor financeiro e da sociedade civil, além de realizar reuniões bilaterais com Kyte e Ruth Davis, representante especial para Natureza do governo britânico, entre outras agendas.
Ana Toni reuniu-se ainda com representantes do setor financeiro e da sociedade civil, além de realizar reuniões bilaterais com Kyte e Ruth Davis, representante especial para Natureza do governo britânico, entre outras agendas.