A Vale está desenvolvendo aplicativos próprios para que os empregados possam fazer por celular ou tablet atividades que antes eram realizadas em computadores de mesa ou até mesmo em papel. A “AppStore” disponível na intranet da empresa já conta com 22 aplicativos, que representam ganho de produtividade para a empresa.

A diretoria apoia uma estratégia de transformação digital baseada em três pilares: TI Industrial para promover o uso da Internet das Coisas (IoT); análise avançada de dados para prever e solucionar problemas antes mesmo de eles ocorrerem; e mobilidade para liberar os empregados para realizarem atividades operacionais.

O objetivo da transformação digital na mineradora é reduzir os custos de forma significativa, aumentar a produtividade de pessoas e equipamentos e reduzir os riscos de saúde e segurança para os empregados.

A primeira das atividades na mineradora que se tornou mais fácil com o uso de aplicativos foi avisar que o conserto de um vagão de trem já está pronto. As oficinas da Vale fazem manutenção de vários equipamentos, como por exemplo os caminhões fora de estrada, que carregam até 400 toneladas de minério de ferro, ou as centenas de vagões de trem que servem às duas ferrovias que a empresa opera: a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e a Estrada de Ferro Carajás (EFC), que liga Maranhão ao Pará.

Antes da criação do aplicativo, a equipe de Planejamento preenchia uma folha de papel com a ordem de manutenção para os equipamentos e um empregado levava esse papel até a oficina, onde o mecânico descrevia o que era feito, em quantas horas e com quais peças. Em seguida uma pessoa buscava o papel e o levava para o escritório, onde digitava tudo no computador e inseria no sistema.

Mas em 2011 foi criado um aplicativo chamado Siga Brizzo, pelo qual o mecânico recebe a ordem de manutenção de forma online, sem necessidade de papel.

Foram distribuídos 2.500 coletores de dados, conhecidos como palmtops, e 500 tablets pelos quais os empregados das oficinas consultam a ordem de manutenção, inserem todos os dados do serviço e os reenviam para a área de planejamento. Sem papel e sem retrabalho. Só no ano de 2016 foram economizadas 376 mil horas de digitação, 7,8 mil horas de deslocamento até as oficinas e 2,6 milhões de folhas de papel.

Outra atividade que ficou mais segura com os aplicativos foi a prevenção de acidentes. Nas indústrias o assunto de saúde e segurança é coisa séria. A Vale tem a meta de chegar a dano zero: não registrar nenhum acidente com lesão. Para isso, os controles de saúde e segurança vêm sendo reforçados com a ajuda de quatro aplicativos que estão disponíveis aos empregados próprios e terceiros da empresa em todo o mundo.

Um desses aplicativos é usado para inspeções, outro para relatar incidentes ou “quase-acidentes”, sendo possível até tirar fotos do ocorrido para enviar à equipe que fará uma investigação sobre suas causas com o objetivo de identificar os responsáveis e aperfeiçoar os controles.

Outros dois aplicativos estão disponíveis aos empregados para denunciar situações de risco, que podem ser centradas na matéria, como um bueiro sem tampa ou um corrimão de escada solto, ou na pessoa, que é o caso de um empregado não estar usando o equipamento de proteção individual de forma adequada.

Com os aplicativos da Vale, também ficou mais fácil informar que uma viagem de trem de 600 quilômetros entre o Sudeste do Pará e o interior do Maranhão terminou. O maquinista, por uma questão operacional, precisa registrar todas as atividades ocorridas ao longo da viagem, como por exemplo, se ocorreu algum incidente.

Parece simples, mas em algumas paradas ao longo da ferrovia os maquinistas se alojam em hotéis, que nem sempre têm computadores disponíveis. Além disso, em algumas situações o maquinista termina seu percurso de trem e é levado por um motorista da Vale de volta para sua cidade de origem. Antigamente ele tinha de ser levado até a empresa somente para acessar o sistema pelo computador e só então podia pegar um táxi para casa.

Pensando nisso foi desenvolvido um aplicativo de celular em que os maquinistas podem registrar todas as suas atividades de qualquer lugar onde estiverem. Com a novidade eles ganham até uma hora no retorno de suas viagens, eliminando esse deslocamento desnecessário até a sede da empresa. O aplicativo já está disponível para os maquinistas das Estrada de Ferro Carajás e também da Estrada de Ferro Vitória a Minas.

Por último, também é possível, com os aplicativos da companhia, indicar quais são os defeitos de um vagão de trem após uma viagem. Os trens operados pela Vale viajam 979 quilômetros entre as minas de Carajás, no Pará, onde são carregados com minério de ferro, e o porto de Ponta da Madeira, em São Luís, onde o produto é embarcado para os clientes. São 330 vagões em cada trem.

Quando chegam ao porto, os trens são acoplados a um equipamento chamado “virador de vagões”, que fazem exatamente o que o nome sugere: viram os vagões, despejando o minério numa correia transportadora que seguirá em direção ao terminal de embarque. É nessa hora que dois empregados aproveitam para conferir se há algum defeito nos vagões. Os que têm problemas pequenos vão para as equipes de pátio e, em caso de defeito crítico, o vagão é retido.

Segundo a mineradora, são mais de 50 defeitos possíveis e ainda é preciso indicar em que parte do vagão está o problema. Por dia costumam ser registrados 139 defeitos por virador. Antigamente tudo isso era anotado em papel pelo inspetor. Em seguida outro empregado pegava os papéis e passava tudo para o computador, podendo acontecer de o responsável pela digitação não entender o que tinha sido anotado pelo inspetor.

Em 2016, a empresa desenvolveu um aplicativo para tablet em que os dados podem ser inseridos diretamente no sistema pelo próprio inspetor. Com a novidade, que começou a ser implantada em abril, houve ganho de produtividade, com melhor utilização dos recursos humanos, e impactos positivos para o meio ambiente, com o menor uso de papel.