Pará continua atolado na ‘Transamargura’; veja imagens


Foto: Reprodução/WhatsApp

Idosos, grávidas, criancinhas de colo, pessoas doentes, estudantes, caminhoneiros, cidadãos que só querem partir, chegar, ir e voltar. Mas a lama da Rodovia Transamazônica (BR-230), vulgo “Transamargura”, não deixa. Um veículo fica atolado por minuto e para sair da pior gasta, em média, meia hora se e quando auxiliado.

E assim segue a vida neste inverno, mais um, aliás, em que todo ano é a mesma coisa. Chuva, lama, atoleiro, congestionamento. Alguns trechos nas cercanias de Novo Repartimento, tanto no sentido a Altamira quanto a Marabá, estão críticos. Na Ladeira da Velha, palco de constantes acidentes, a situação é dramática.

Foto: Reprodução/WhatsApp

Esta semana, após um temporal, a Ladeira da Velha registrou um grave acidente com duas vítimas e vários engarrafamentos de quase cinco quilômetros. São episódios lamentáveis que colocam o município de Novo Repartimento no olho do furacão, da lama ao drama.
Há 46 anos se fala em asfaltar a Transamazônica, e o que se tem como saldo de uma das maiores mentiras do país são alguns trechos com asfalto, e os piores perímetros, como a Ladeira da Velha, praticamente abandonados.

DE OLHO NOS MILHÕES DA UNIÃO

A fanpage Novo Pará se debruçou sobre as milhares de páginas da Lei Orçamentária Anual (LOA) da União para 2018 e descobriu que o Governo Federal, responsável pela BR-230, tem vários milhões discriminados e previstos para investir em seu objetivo de “promover a construção e a pavimentação da malha rodoviária federal incluindo pontes, viadutos e túneis”, conforme consta da página 76 do segundo volume da LOA 2018.

No final da referida página, são vistos R$ 137,75 milhões para asfaltamento da BR-230 no trecho compreendido entre Altamira e Palestina do Pará (precisamente a divisa do Pará com o Tocantins); e R$ 8,55 milhões para asfaltar o trecho da mesma BR entre Altamira e Rurópolis.

Trocando em miúdos, o Governo Federal, por meio de seu Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, deverá desembolsar R$ 146,3 milhões no trecho paraense da “Transamargura”. Mas será? Todo ano se diz que tem asfaltamento para a Rodovia Transamazônica, e assim se seguem mais de quatro décadas com as mesmas lorotas e, pior, precariedades de sempre.

Conforme levantamento desta página, nos últimos cinco anos, a União torrou a fortuna de R$ 39,89 bilhões com transporte rodoviário. Foram R$ 8,61 bilhões em 2013; R$ 9,39 bilhões em 2014; R$ 6,21 bilhões em 2015; R$ 9,09 bilhões em 2016; e R$ 6,59 bilhões em 2017. Os dados são do Portal da Transparência do Governo Federal, e os valores tomaram doril: ninguém sabe, ninguém viu. O dinheiro desapareceu e restou a lástima das rodovias federais, especialmente aqui no Norte, onde a situação narrada em verso e prosa, até em memórias póstumas, é gritante.

Seja também fiscal dos milhões do orçamento da União para este ano, que reserva quase R$ 8,95 bilhões para transporte terrestre, R$ 146 milhões dos quais para torrar este ano na lambança enlameada de quase meio século chamada Transamazônica.

Fonte: Novo Pará

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