Entende-se por mineração todos os processos e atividades manuais e industriais que têm por finalidade a extração de substâncias minerais do solo, a partir da perfuração ou contato com áreas de depósitos ou massas minerais. A importância desta atividade é firmada ao longo da civilização conforme atestam inúmeros eventos históricos relacionados a quadros geopolíticos diferenciados, nos quais o homem vem associando poder, hegemonia e estabilidade econômica, com a disponibilidade de fontes de suprimento de suas necessidades minerais.

Através da história, o desenvolvimento da civilização esteve sempre relacionado com o aproveitamento dos recursos naturais, segundo os seguintes estágios evolutivos: Idade da Pedra, Idade do Cobre, Idade do Bronze, Idade do Ferro, Idade Nuclear e Idade dos Materiais Avançados.

A Idade da Pedra se constitui de um longo período da pré-história, caracterizado por costumes rudimentares do homem primitivo que usava lascas de rochas para confeccionar suas armas, ferramentas e abrigos.

Posteriormente, a Idade do Cobre, iniciada cerca de 8.000 anos atrás, quando o homem aprendeu a usar metais nativos, tais como cobre e ouro, tendo posteriormente descoberto os métodos pirometalúrgicos para recuperar os metais de seus minérios.

A Fase seguinte – Idade do Bronze – iniciou-se cerca de 4.500 anos atrás. Nesta, o homem descobre o processo de obtenção de um metal sintético – o bronze – constituído de uma liga de cobre e estanho.

Na Idade do Ferro a civilização experimenta uma notável evolução. O ferro era inicialmente utilizado como metal puro e raro, obtido de meteoritos, a cerca de 3.500 anos atrás. Com a descoberta do método de recuperação do ferro de certos minérios, este passou a ser intensamente utilizado na produção de armas, ferramentas e implementos diversos. O poder de importantes impérios da antiguidade (tais como o Romano e o Persa) se fundamentava na habilidade daqueles povos em obter e utilizar o ferro.

A Idade Nuclear, iniciada a cerca de 70 anos atrás, constitui-se de uma fase de intensos avanços tecnológicos, em que o homem passou a utilizar conhecimentos sobre os recursos físseis, com diversos propósitos energéticos.

Por fim a época atual, que se pode denominar de Idade dos Novos Materiais (Advanced Materials), se caracteriza pela utilização de produtos de origem mineral de elevado valor agregado, em termos de informação e tecnologia embutidas, e menos pelo valor específico da matéria prima. São próprios da terceira revolução industrial, que se caracteriza pelo uso intensivo de Tecnologia da Informação em processos de ampla difusão de informação, conhecimento, aprendizado e inovação.

No Brasil

De modo geral, o desenvolvimento dos estágios evolutivos da mineração está diretamente relacionado aos anteriormente citados assim como ao desenvolvimento do país, seja através da procura, descoberta e exploração de jazidas ou através da metalurgia e siderurgia:

Séculos XVI a XIX:

√ Entradas e Bandeiras

√ Ciclo do ouro e dos diamantes (MG, BA, GO e MT)

√ Primeiras indústrias de ferro (MG e SP)

Século XX:

√ Início da industrialização (pós Revolução de 1930) que se firma com a 2ª Guerra Mundial (grande siderurgia, cimento, metalurgia de alumínio, cobre, chumbo, tungstênio e outros)

√ Década de 50 e seguintes: ampliação e diversificação da indústria (automobilística, naval, eletrodomésticos, etc.), do agronegócio (cana-de-açúcar, grãos, pecuária, suinocultura, avicultura, etc.) e da produção mineral, tanto para consumo interno quanto para exportação.

Vale destacar que a Constituição Nacional de 1946, substituindo a “Carta de 1937”, estipulou que a exploração dos recursos minerais do país poderia ser conferida tanto a brasileiros quanto a sociedades organizadas no Brasil, diferindo da anterior que determinava que os bens minerais eram de propriedade exclusiva da União, estimulando assim fluxo de investimentos no país.

Na Amazônia

A exploração dos recursos minerais da Amazônia ganha destaque a partir da década de 60, com a política de ocupação do território nacional, créditos fiscais assim como pelos investimentos do governo militar em obras de infraestrutura: usinas hidroelétricas, linhas de transmissão, acessos viários e terminais portuários para exportação.

Duas empresas norte-americanas deram início aos programas de prospecção mineral na região de Carajás, a Union Carbide, que localizou as jazidas de manganês nos depósitos do Sereno, em Marabá; e a Unitate States Steel Corporation que descobriu os depósitos de Buritirama e as jazidas de ferro de Carajás.

Na década de 80, a região de Serra Pelada foi invadida por milhares de pessoas em busca do ouro, se tornando rapidamente o maior garimpo a céu aberto do mundo, reunindo aproximadamente 100mil pessoas no interior do Pará.  Em 1992 houve a paralisação da extração de ouro na região, transformando a grande cratera aberta pela exploração do ouro em um enorme lago.

Para a Amazônia, o início do século XXI é marcado por avanço nas pesquisas de mapeamento geológico, consequentemente na descoberta de depósitos minerais e implantação de projetos, tornando-se a região foco da mineração no Brasil. Dados levantados pela consultoria Tendências indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) do Norte deverá avançar 3,9% em 2017, o maior do Brasil, seguido pelas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, com 2,3%, 2,2%, 1,4% e 1,3%, respectivamente, reafirmando assim esses dados.

A mineração tem influência direta sobre o desenvolvimento de sociedades, seja num contexto atual, como no interior do Pará, onde diversas cidades tiveram sua criação e seu desenvolvimento atrelado a mineração, ou em caráter histórico, onde o domínio de bens minerais tornava uma sociedade mais estruturada frente as demais, possibilitando a manutenção de impérios por grandes períodos (ex.: romanos e persas).  Fonte: IBRAM, SGM/MME, Consultoria Tendências.

Por.

Camila Rodrigues graduada em geologia pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA) e cursa Pós-Graduação em Geoprocessamento e Georreferenciamento pela Universidade Cândido Mendes.