O município paraense de Parauapebas, maior produtor nacional de minério de ferro e um dos líderes em exportação na balança comercial do país, vive um dilema: produzir muito na mineração com cada vez menos trabalhadores. Parauapebas inaugurou 2018 como o 2º que mais demite no Brasil, considerando-se apenas o setor da indústria extrativa mineral. Não é novidade que há algum tempo a “Capital Nacional do Minério de Ferro” esteja a viver uma crise sem precedentes em seu no mercado de trabalho, mesmo porque é o município que concentra o maior volume absoluto de trabalhadores da mineração.

O problema é que as demissões tornaram-se recorrentes, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), assinado pelo Ministério do Trabalho (MTb). Em janeiro, conforme os números do Caged, Parauapebas registrou 101 demissões de trabalhadores com carteira assinada lotados no setor mineral ante apenas nove contratações registradas no mesmo período. O saldo ficou no vermelho em 92 postos. Só mecânicos de manutenção, foram mandados embora 27, além de 21 operadores de máquinas e 13 técnicos em eletroeletrônica. Dois engenheiros de minas foram desligados, com salário médio de R$ 7.964.

ALERTA SOCIAL

Para o presidente da Associação Paraense de Engenheiros de Minas (Assopem), Artur Alves, a situação de Parauapebas é preocupante. Em primeiro lugar, ele observa que a mineradora Vale, maior empregadora local e responsável por gerar diretamente um de cada cinco empregos formais no município, não tem mais projetos que possam mobilizar grande quantidade de mão de obra como outrora, por ocasião de implantação das minas ou ampliação da capacidade de produção. “Os projetos da Vale em Parauapebas já estão consolidados e maduros. Ela mesma, a Vale, observou em seu relatório financeiro, divulgado semana passada, que não há investimentos previstos no horizonte, uma vez que sua prioridade é dar continuidade ao ramp-up de projetos nos quais investiu pesado, como o S11D, em Canaã dos Carajás”, alerta Alves.

Em segundo lugar, o engenheiro de minas diz que o poder público de Parauapebas precisa usar o dinheiro dos royalties de mineração para planejar o futuro do município, haja vista a questão do desemprego — dentro ou fora do setor mineral — ter efeito cascata local e impacto regional. “Quando um emprego na mineração é perdido, é menos um cliente que uma loja ou um supermercado perde, por exemplo. Quando 92 empregos são perdidos, aí você já pode prever o fechamento de uma loja ou de um mercadinho inteiro. É um efeito dominó, e isso afeta toda a economia”, lamenta o presidente da Assopem.

No Pará, Parauapebas não está sozinho. Os municípios de Paragominas, grande potência na produção de bauxita, e Ourilândia do Norte, produtor de níquel, também tiveram expressivas baixas na mineração.

Confira o ranking dos municípios brasileiros que mais demitiram trabalhadores do setor mineral em janeiro!
(Assopem)