A Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) realizou, no último domingo (4), uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para discutir a implantação e instalação do projeto da “montoeira”, que prevê a exploração do rejeito do garimpo produzido em Serra Pelada, no Pará. Representantes da Sona Mineração, empresa criada em junho e que está à frente dos trabalhos, estiveram no local para debater o assunto.

De acordo com a Coomigasp, foram apresentados os resultados das pesquisas de laboratório realizadas com testemunhos de sondagem da montoeira, além de conversarem sobre a data de início e conclusão da montagem da usina para o beneficiamento do material secundário.

A reportagem  entrou em contato com a consultoria BS3, que é dona da Sona Mineração e tem como sócio o ex-deputado federal pelo PT de Minas Gerais, Virgílio Guimarães, mas a companhia não quis falar com a reportagem.

A reportagem  também entrou em contato com a Antonacci e Rangel, empresa de consultoria e advocacia empresarial sediada em Belo Horizonte (MG), que afirmou, por telefone, que não está autorizada a passar o contato de algum representante da Sona Mineração.

O presidente da Coomigasp, Edinaldo Aguiar, também foi procurado pela reportagem, mas não retornou os pedidos de ligação e nem respondeu o e-mail até a publicação desta matéria.

Na reunião, da Coomigasp, também foram eleitos e tomaram posse os novos membros do Conselho Fiscal da cooperativa, que não tiveram os seus nomes divulgados.

Coomigasp e Sona Mineração

As reuniões entre a Coomigasp e a BSIII, uma das sócias da Sona Mineração, são constantes desde o ano passado. Segundo comunicado divulgado pela Coomigasp em julho, a previsão é que todas as instalações estejam prontas até dezembro, para que o processamento da “montoeira” comece e que, a partir de janeiro do ano que vem, os garimpeiros saibam o que está sendo produzido para que possam receber aquilo que têm direito.

Em julho, o presidente da Coomigasp, Edinaldo de Aguiar, se reuniu com advogados, representantes da Sona Mineração e autoridades do governo na Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Pará (Semas) para viabilizar a liberação e renovação de todas as licenças ambientais para os trabalhos da montoeira.

Segundo apurou a reportagem em março deste ano, a Coomigasp possui uma planta inicial experimental montada para a exploração do material secundário, chamado de montoeira. O objetivo é construir uma planta com capacidade para processar 2 mil toneladas de material por dia.

A BS3, sócia da Sona, foi contratada pela Coomigasp para viabilizar o projeto secundário de Serra Pelada, que é o processamento da montoeira. O acordo prevê que 44% do valor líquido do ouro, da prata e do paládio extraídos serão destinados aos garimpeiros e 56% à empresa. As despesas com exploração, empregados e outros custos seriam responsabilidades da BS3, segundo uma transcrição de declaração do deputado federal Domingos Dutra (PcdoB-MA) em audiência na Câmara dos Deputados, em julho de 2014.

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Sona Mineração

Segundo dados da Receita Federal, além da BS3, também constam como sócios da Sona Mineração as empresas Construtora Serra Azul, Grupo Mauricio Toledo Investimentos, Companhia Brasileira de Engenharia Participações e Negócios (Cobrapar) e Diretta Participações, Empreendimentos e Consultorias; e Maurício Toledo Jacob, dono das mineradoras Toledo Mineração e Toledo Metals. Com informações da NMB.