Kleysykennyson Carneiro

Conheci a Carol quando eu tinha dezesseis anos. Ela tinha só treze e eu me apaixonei perdidamente. E o que é engraçado é que a fagulha do amor que eu tinha por ela, surgiu por uma brincadeira. Eu, conhecido por todos como um palhaço, (uma década depois me acho babaca por isso) me aproximei dela e falei de paixão e de sentimento e de boas intenções, quando eu não queria absolutamente nada; só ser o centro das atenções. E eu consegui. Dei um beijo no seu rosto e vi a sua pele branquinha ganhar tons escarlates. Foi algo lindo de se ver e remexer nessas lembranças até dói, mas é uma dor necessária, que prova que a Carol realmente existiu e não foi só um delírio louco.

O caso é que a minha brincadeira virou amor e o amor virou obsessão e a obsessão virou frustração e a frustração virou ódio. Não ódio da Carol, obviamente, mas dos caras que percebiam o castanho dos seus olhos, a doçura da sua fala, a independência do seu ser e também a cortejavam. Eu vivia para Carol e isso, por mais estranho que pareça, era algo reconfortante. A dor de verdade era não ver mais ela pelo resto da dia… Não venham me falar de outras dores… O que dói mesmo é o amor que não pode ser. Tente viver sem aquela que você ama! A vida simplesmente não vai, pois o amor nunca vem e é aí que mora a dor e a dor guarda o absurdo de não se ter para onde ir. Nada substituía a Carol pra mim. Nada.

Foi assim que surgiu cada verso em mim. Não havia poeta antes da Carol e isso é uma coisa que eu só descobri dias atrás tentando puxar pela memória os meus primeiros poemas… Não há nada antes de Carol. Quanta magia havia nesse sentimento, pois fazer surgir alguma coisa desse tipo é um dom de poucos e ela tem. Quantos poetas a Carol despertou? Só posso imaginar.

Fiz poemas para ela. Entreguei todos em suas mãos e ela, gentilmente, os aceitou. Arrancava as páginas e nem guardava cópias. Eram apenas dela. E ainda bem que eram só dela, pois eu duvido muito que eu fosse gostar daqueles garranchos mal escritos. Quando ela fez quatorze, parei a festa e falei ao microfone o quanto eu a amava e quanto a queria… Os convidados clamaram por um beijo que não veio; e ainda bem que não veio. A Carol é o tipo do amor que é perfeito, justamente por não ter sido. É um sentimento limpo, lindo, claro, pois não há mágoas e nem mentiras. Nunca fomos desonestos um com o outro. Eu a amava e ela não me amava e nunca escondeu isso. À época eu não entendi a beleza dessa honestidade, mas hoje, dez anos depois, não posso deixar de contemplar a beleza desse “amor que não foi”.

Ah, a gente nunca deu certo. Nunca fomos o que eu queria. E a dor que existia por tudo o que a gente não foi, se tornou uma grata lembrança e eu só posso ser feliz por ela existir, do contrário a Carol, pra mim, não passaria de sonho. E o mais feliz da vida é saber que ela foi de verdade e que ainda é.

O melhor de tudo, e ela nem sabe, é que eu aprendi tantas coisas… Coisas que sem ela eu não teria aprendido, como o que é sushi, sashimi, yakisoba e outras tantas palavras que o Word fica me dizendo que tá escrito errado, mas quem conheceu a Carol fui eu e não ele.

Amei-a por dois ou três anos, ou a vida toda, não sei ao certo. Se tivesse guardado cada poema, teríamos hoje uma antologia poética só dela. Mas o tempo os consumiu e isso é bom. Às vezes, o passado deve ficar no passado. E só. Hoje, neste exato dia em que a coluna vai ao ar, 03 de abril de 2017, faz uma década que eu me aproximei dela e, de brincadeira, me apaixonei. Hoje é o aniversário do “maior amor que não aconteceu” que eu tive na vida. E é uma data para se comemorar e para se homenagear esse alguém que surgiu do inexplicável e se tornou o que haverá pra sempre em mim.

Dez anos depois daquele dia, a Carol se tonou essa mulher linda, incrível, inteligente e dona de si da foto acima; ainda nos falamos e não há uma só foto dela no Instagram que eu não tenha curtido ou comentado. Não é que eu ainda a ame como aquele adolescente, não, não… É mais admiração e contemplação. O primeiro grande amor da vida, a primeira obsessão, a primeira decepção a gente não pode esquecer. Esse tipo de anjo, como a Carol, a gente guarda no coração com respeito e com carinho.

Ah, Carol… A gente nunca foi, nem nunca vai ser, mas a nossa história teve o final mais feliz de todos. E eu quero escrever sobre ela por mais vinte, trinta, quarenta anos. A nossa história é o meu começo e não posso esquecer disso jamais.